Archive for March, 2008

Trikes “home made” em Beja

Anteontem descobri acidentalmente um anúncio de venda de «trikes e bicicletas personalizadas». Um senhor de Beja, José Aiveca, que deve ter como hobby a construção de triciclos reclinados e outras bicicletas “diferentes”. :-) Também gostei do site da empresa dele (não relacionada), é muito à frente para o padrão nacional, com vídeo de introdução e tudo. :-)

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Pelo anúncio, a chopper anda pelos 600 € e o trike com capota pelos 750 €, mas não consegui mais info.

Já é o segundo construtor caseiro de trikes em Portugal, de que tomo conhecimento, o primeiro foi o Carlos Camoesas, de Ovar. Muito bom! :-)

2º Grande Prémio da Actividade Física

No próximo dia 29 de Março, um sábado, entre as 10h e as 13h, no Autódromo do Estoril, terá lugar a segunda edição do Grande Prémio da Actividade Física, uma iniciativa da Câmara Municipal de Cascais em que a pista do Autódromo é aberta à população e ao trânsito não-motorizado.

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[Imagens: planetajota]

Vai haver animação paralelamente ao livre-acesso à pista, tal como no ano passado. :-) A Cenas a Pedal vai lá estar novamente a convite da organização, desta vez com 6 karts KMX à disposição do público.

Atenção que os karts, e outros veículos disponibilizados por outras empresas e pela própria Câmara (as BICAS), só poderão ser utilizados numa área própria reservada. Para poderem ir usufruir da pista têm que levar as vossas próprias bicicletas, triciclos, patins, skates, carrinhos de bebé, cadeiras de rodas, trotinetes, carrinhos de rolamentos ou o que mais se lembrarem. ;-)

Meus amigos, isto é um evento imperdível!! Uma pista enorme, alcatrão lisinho e limpinho e 3 horas para brincar! Eheheh! :-D

«Toca a pedalar»

«A bicicleta é uma alternativa viável - e não poluente - ao automóvel. Mesmo nas ruas de Lisboa, onde o trânsito e os declives acentuados parecem não assustar o crescente número de ciclistas.» Texto de Sara Raquel Silva. Fotos de Paulo Castanheira / AFFP. Revista Gingko, edição n.º 1, Março de 2008:

«Toca a pedalar» «Toca a pedalar»
«Toca a pedalar»

Vel’oh

Os sistemas de bikesharing proliferam como cogumelos. :-) No Luxemburgo há agora o Vel’oh.

A CML também está a preparar um concurso público para implementar um sistema destes em Lisboa. Resta saber se vão arranjar as estradas onde é suposto as pessoas usarem as bicicletas… Ex: subir ou descer entre a Baixa e o Marquês de Pombal é um horror…

Cenas de uma tarde de sol, sobre rodas

No sábado esteve um belíssimo dia de sol no Jamor, até apanhámos um escaldãozito na cara, esquecemo-nos de ir preparados com protector solar. :-/ Muitas famílias, muito pessoal do BTT, muitos atletas de hóquei (o torneio que estava a decorrer) e de canoagem, logo ali ao pé.

Campo de jogo Rotunda

No nosso spot tínhamos 4 karts KMX e, como sempre, foram muito procurados. :-D

Talking Trânsito

O spotÉ giro, até os adultos ficam com aquele ar de criança que descobriu uma nova brincadeira, o “recumbent grin“, eheheh! Também divulgámos a Mobiky e a Xtracycle junto de alguns interessados. Um senhor até a experimentou, equipada com Wideloaders, carregada com umas caixas cheias de papel, e a filha sentada atrás, no Snapdeck, a apanhar boleia. Muito fixe. :-)

Test drive da Xtracycle Test drive da Xtracycle

À boleia
Como há meninos pequeninos que querem andar mas ainda não chegam aos pedais num K, uma solução comum é a criança andar à boleia de um adulto. :-) Tem funcionado bem, os miúdos adoram e só nesta tarde devemos ter tido uns 6 casos destes. Ainda não pude confirmar, mas espero que um dos novos modelos da KMX para 2008, o Storm, dê para crianças mais pequenas que os 6 anos do actual K.

Todos os outros fazem corridas, slaloms, etc. Para cá e para lá, na “pista”:

Os KMX têm sempre uma procura louca, eheheh A "pista"

Também foi bom receber a visita de alguns amigos, que foram aproveitar para ver e experimentar as nossas “máquinas”, e conversar um bocadinho, no meio da agitação. :-)

Mais tarde vem um videozito, está em edição. ;-)

A primeira vez

Nem percebi quando meu pai me soltou. Tinha acabado de erguer a segunda rodinha auxiliar da minha primeira bicicleta, mas ele disse que ficaria ali atrás me escorando. Quando olhei para trás, ele estava alguns metros longe de mim, observando contente meu sucesso sobre duas rodas. O medo inicial não me reteve por muito tempo. Logo me apaixonei por aquele ventinho no rosto e me encorajei a brincar de pedalar na rua de casa, que ainda era de terra e sem saída.

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Em São José dos Campos, minha cidade natal, a bicicleta sempre foi minha independência. Aos 12, desbravava as ruas do bairro em algazarra com a molecada da rua. Aos 16, ia com ela ao colégio. Aos 26, aprendi, com a mesma mountain bike, a me embrenhar em trilhas na mata e a chegar intacta ao trabalho de vestido (e um shortinho por baixo) e mochila nas costas. Aos 28, já freelancer em São Paulo, marcava reuniões com meu editor (um judeu nada ortodoxo de cabelo comprido) no Café Suplicy, e nós dois prendíamos nossas bikes no mesmo poste.

Difícil manter essa independência em São Paulo. Quando entrei na editora Globo, minha farra de ciclista foi interrompida. Faltou coragem para enfrentar o fumacê dos caminhões que vão para a marginal Pinheiros, o perigo na ponte, o julgamento dos colegas que vêm de carro e banho tomado. Era mais fácil gastar mais gasolina e aproveitar o estacionamento gratuito. Mesmo carregando a culpa por uma fração do aquecimento global sobre meus ombros. Até que me ofereci para participar da reportagem sobre o incentivo ao uso da bicicleta como meio de transporte. Depois de experimentar o bicicletário (quase vazio) da estação Pinheiros do trem metropolitano, ir de trem até Mauá para conhecer a superlotação do bicicletário de lá e entrevistar ciclistas exemplares que me deram dicas de sobrevivência nas ruas da capital, me senti na obrigação de deixar aquele “receio bobo” de lado e honrar meu título de ciclista urbana.

A dificuldade começou diante do guarda-roupa. Percebi em cima da hora que não tinha nada que servisse ao mesmo tempo para pedalar e para fazer entrevistas. Legging, regatinha colante e tênis eram perfeitos para a academia, mas não me pareceram traje adequado para a redação. O jeito foi carregar um pouco de peso nas costas. A roupa adequada (e a sandália) para o trabalho eu botei na mochila, de um jeito que não amassasse muito, junto com um frasco de loção de limpeza para o rosto, um pedaço de algodão, uma toalha pequena e o desodorante. Vesti uma bermuda informal com strech, uma blusinha de verão e uma sandália esportiva – melhor que o tênis com meia num dia quente. Peguei capacete e luvas, equipei a bike com lanterna dianteira e pisca-pisca traseiro, enchi a caramanhola de água e saí, torcendo para não chover.

Levei quarenta minutos, um pouco mais do que costumo levar de carro. (É que eu tenho o privilégio de morar razoavelmente perto da editora e pegar um dos caminhos mais agradáveis da cidade – sem contar, é claro, a ponte e a parte dos caminhões.) No portão, uma funcionária me pediu para passar pela entrada de pedestres. Por quê, perguntei, se ali há um degrau e já estou na entrada dos carros? Veio outro funcionário desfazer o mal entendido. “Ela achou que você fosse visitante. É que você é a primeira funcionária a vir de bicicleta.” Então onde estaciono?, eu quis saber. O moço me apontou a área em que ficam as motos. Já adivinhando a frustração, fui examinar o local. Bingo! Não havia um só lugar em todo o estacionamento que tivesse ao mesmo tempo um poste estreito o suficiente para minha tranca, teto contra chuva e ausência de pombos – se eles melecam os carros, imagina as bicicletas! Voltei à guarita disposta a ouvir outra sugestão. Quem sabe lá no fundo, perto do restaurante? Encontrei um tubo qualquer preso à parede, talvez fosse uma calha, e foi ali mesmo que escondi minha magrela. Não sem medo de que gatunos a pilhassem, num cantinho tão sem vigilância.

Antes de encarar os colegas, banheiro. Vestiário aqui não temos. Um pouco constrangedor me despir ali onde a qualquer momento poderia entrar alguém, mas era o jeito. Felizmente não suei muito, já que não houve subidas no percurso e a velocidade foi moderada. Então um banho de gato na pia e a troca de roupa foram o bastante para que eu chegasse confortável e agradável ao fim do dia. Na hora de ir embora, chuviscava fininho e o chão estava molhado. Mas dizem que quem vai para casa não toma chuva. Posso dizer que foi meu passeio solitário mais divertido do mês de novembro. Na ponte do Jaguaré, fiquei na parte reservada aos pedestres, e eles me deram passagem espontaneamente. Entre o Parque Villa Lobos e a Praça Pan-americana, cantarolei sozinha, sem precisar do rádio, que sempre me balança no carro. Na Teodoro Sampaio, rua mais comercial de Pinheiros, parei para ver uma promoção na Casas Bahia e, metros à frente, parei de novo para conversar com um vizinho que estava a pé. E me lembrei por que é que o dia em que a gente aprendeu a andar de bicicleta marca tanto. É porque parece que a gente de repente pode ir a qualquer lugar.

Fonte: Revista Época

Outro testemunho aqui.

[Via]