Do ponto de vista das “cenas diferentes”, claro, que passam ao lado de praticamente todos os relatos feitos pelos amantes do BTT e afins:
Vejam o resto destas fotos do Festival Bike Portugal 2009 aqui. O ano passado foi assim.
Do ponto de vista das “cenas diferentes”, claro, que passam ao lado de praticamente todos os relatos feitos pelos amantes do BTT e afins:
Vejam o resto destas fotos do Festival Bike Portugal 2009 aqui. O ano passado foi assim.
Imaginem o cenário:
4 ciclo-activistas pretendem ir a Aveiro assistir à conferência ‘O Lazer e o Turismo Ciclável em Portugal’. A conferência começa às 9h. A ideia seria fazer uma viagem multimodal baseada na bicicleta e no comboio. A bicicleta para se deslocarem de suas casas até à estação de comboios (Santa Apolónia) e depois por Aveiro (fazer um pouco de cicloturismo pela cicloria, etc), sendo que o comboio permitiria ultrapassar a distância entre Lisboa e Aveiro.
A alternativa seria irem de carro até Aveiro, em regime de carpooling, ou dependerem de carro/táxi/transportes públicos para se deslocarem em Lisboa e em Aveiro, antes de, e depois do comboio, respectivamente.
Vamos então comparar as 2 alternativas mais viáveis (a terceira não é competitiva em termos de preço e rapidez, dado que são um grupo).
Bicicleta & comboio
Dado que as bicicletas só são toleradas nos comboios Regionais e Inter-Regionais, a melhor proposta de IDA é esta (tarde de dia 5 de Novembro):

Partida cerca das 16h15 e chegada pelas 20h45. São 4h25min de viagem, incluindo 2 transbordos, por ~52 € (pode haver lugar a descontos de Ida & Volta ou de Grupos).
Claro que falta ainda contabilizar o tempo e o custo da viagem de casa até Santa Apolónia (talvez 1h30min e 0 € a pedalar todo o caminho, uns 50 min e 5.20 € se apanharem boleia do comboio na linha de Cascais). De notar que a linha urbana de Cascais não está integrada com a da rede nacional (até dá vontade de rir, se não fosse caso para chorar), pelo que há que pedalar entre o Cais do Sodré e Santa Apolónia (é um instantinho, também).
O maior problema aqui são os transbordos. É que o transporte de bicicletas nos comboios é tolerado, e gratuito, mas não é garantido nos transbordos, pois depende da avaliação do revisor (tipo de material circulante, espaço, lotação, etc) e como não é possível reservar bilhetes/lugares para a viagem inteira, os passageiros arriscam-se a ficar em terra algures a meio da sua viagem. Ora, quem é que se sujeita a isto?… É que não é como se houvesse mais comboios logo a seguir… Ou que haja garantia que no próximo haja vagas…
Bom, para regressar ao final do dia seguinte, após a conferência, só é dada uma alternativa:

São 5h21min de viagem, com 2 transbordos, e chegada a Lisboa depois da meia-noite. E pouca margem para o fim da conferência, dado que a partida é pelas 18h45. Depois há ainda que chegar a casa, em Oeiras.
Carro
Pelo VIAMICHELIN, a viagem de ida, de carro, desde Oeiras, faz-se em 4h45min, por 45 €. A partida é às horas que o grupo quiser. E o mesmo se aplica ao regresso.
Comparação
Desde casa até Aveiro.
Bicicleta & comboio: 5h15min de viagem, 14.30 € / pessoa. Sujeito aos horários dos comboios e à disponibilidade de ligações. Conforto inferior ao do automóvel (comboios regionais e interregionais costumam ser de menor qualidade do que os intercidades e alfa-pendulares). Trabalho extra a cada transbordo (por causa das bicicletas). Incerteza acerca da continuação da viagem aquando de cada um dos 2 transbordos. Desconhecimento acerca das condições para transportar e prender as bicicletas (espaço? sistemas de retenção?)… Viagem relaxada, todos podem aproveitar o tempo para algo mais que não apenas conversar (o acessível no carro), como ler, etc.
Carro: 4h45min, 11.25 € / pessoa. Extras não contabilizados: custos de deslocação em Aveiro. Flexibilidade de horas de partida, alterações à rota, etc. Mais cansativo (condução, inactividade física), monótono (paisagem), mais perigoso (sinistralidade rodoviária), mais caro (desgaste do veículo não contabilizado).
Não é por 3 € (com os descontos esta diferença pode até desaparecer) ou mesmo pelos 30 minutos a menos de viagem que se optará pelo automóvel. O mais preponderante será mesmo o facto de que não é dada ao passageiro quando compra o seu bilhete a garantia de que poderá fazer a viagem toda no horário previsto. Nesses termos, mesmo quem viaja sozinho provavelmente escolherá o carro apesar de a despesa ser muito maior (não há mais gente com quem dividi-la). Depois disso a qualidade das composições (e, logo, da viagem de comboio propriamente dita) e o tempo e condições oferecidas em cada transbordo (será que 5 minutos ou menos dá para tirar as bicicletas de um comboio, localizar o da ligação seguinte, ir até lá, e carregar as bicicletas?).
Agora comparemos com as alternativas que não são oferecidas a quem queira levar a bicicleta no comboio (mesmo que se pagasse por isso):
Intercidades:

Alfa-pendular:

Não há transbordos, o tempo de viagem cai para metade, e o preço aumenta um bocado para reflectir isto e o maior conforto das composições.
Seria pedir muito que os Intercidades fossem remodelados, se necessário, para permitir o transporte de bicicletas? Seria pedir muito que fosse possível reservar bilhetes para uma viagem que incluam o lugar do passageiro e da sua bicicleta?
Será que a CP não vê que há um mercado imenso a ganhar de gente que agora não usa os seus serviços porque ou faz turismo de carro ou ainda não faz turismo de todo?
Resumindo, a melhor alternativa para estes 4 ciclo-activistas parece ser irem de carro, o que só ilustra a necessidade de ser tratar de ciclo-activistas…
Por aqui se vê a necessidade premente desta conferência e de outras iniciativas que promovam o debate, a troca de ideias, a divulgação, a promoção do turismo em bicicleta, onde a multi-, inter- e co-modalidade são peças fundamentais.
Uma imagem vale por 1000 palavras, três imagens, então…:

Sobreposição das imagens de 3 das 5 posições possíveis nos assentos dos triciclos KMX: menos reclinada, intermédia, e mais reclinada (mais aerodinâmica, racing!).
Aproveitámos para tirar estas fotos ontem, enquanto esperávamos por um cliente prospectivo para um test ride a um Typhoon.
Quem sabe em breve haverá mais um grupo de tricicloturistas por aí, desta vez no Algarve?
Há uns 3 meses falei aqui de uma campanha chamada “I Ride“, do Community Cycling Center em Portland (EUA). Agora há um vídeo a acompanhar as fotos:
Epá, uma coisa deste género dava imenso jeito para passar aqui o vale de Barcarena, quando queremos ir para Queluz, Amadora, etc.
A TerraCycle desenha e fabrica peças para bicicletas reclinadas (ou recumbent). Como eles próprios dizem, não fazem peças de qualidade normal, apenas peças muito boas, ou excepcionalmente boas.
Recentemente lançaram uma linha de idlers mais acessíveis, a Sports Series a ideia era que fossem bons à mesma mas menos “xpto”, tornando-os mais baratos. A TerraCycle é conhecida pelos seus idlers topo de gama.

Já agora, um idler é uma roda (ou um carreto) que suporta e orienta a corrente mas não muda a sua posição/direcção. O objectivo de um idler numa bicicleta ou triciclo reclinados é oferecer um pouco de tensão à corrente, e evitar que ela salte (as corrente das bicicletas e triciclos reclinados são significativamente mais longas do que nos convencionais, exceptuando, talvez, os que têm FWD – Front Wheel Drive). Uma Xtracycle também sofre um pouco deste problema porque a corrente é uns 80 cm mais longa que numa bicicleta sem o kit FreeRadical. Nas nossas Xtracycles, que usamos no dia-a-dia, temos uns idlers DIY, por isso foi com agrado que soubemos pela lista dos RootsRadicals que a TerraCycle iria passar a disponibilizar um modelo pensado para a X.
Vejam as fotos do Kevin:


Quando estiverem disponíveis, estes idlers (hmm… roldanas?), a Cenas a Pedal deverá, em princípio, ser capaz de os fornecer aos interessados.
Últimos comentários