Archive for the 'Indústria e Consumidor' Category

Formação em condução de bicicleta: o como e o porquê

Após termos anunciado o novo serviço de formação em condução de bicicletas, foi-nos colocada a questão dos ‘como’s e ‘porquê’s. Aqui ficam.

Este post faz sentido lido após os anteriores “Aprender a andar de bicicleta” e “Live blogging! Directamente da Cordoaria Nacional ;-P

O background

Não me lembro de me preocupar com isso quando era criança ou mesmo durante a adolescência, mas desde que retomei a utilização da bicicleta após um intervalo de alguns anos que coincidiu com uns problemas de saúde e com a faculdade, que o interesse surgiu e foi aumentando progressivamente.

Em diversas situações no trânsito, em troços ou sistemas particulares da estrada perguntava-me a mim mesma qual seria a forma mais segura, eficaz e confortável de agir, de passar por ali. Isso levou-me a pensar no assunto, a observar, a estudar, fui investigando… Ainda estou a investigar e a aprender (é daquelas coisas que nunca terminam!). :-) Entretanto li muitos relatos pessoais, deambulei por muitos sites dedicados a este tema, vi vídeos, diagramas e animações que me ajudaram a pensar de outra forma nas situações de trânsito. Também li alguns livros, os “incontornáveis”, o Cyclecraft do John Franklin, o City Cycling do Richard Ballantine, o Effective Cycling do John Forester (bom, este é um calhamaço por isso a leitura é mais de consulta, a work in progress),…

Nestas minhas investigações fiquei a conhecer actividades de formação em condução de bicicleta no Reino Unido, nos EUA, no Canadá, em Espanha, em França,… Iniciativas a nível governamental, de ONGs e associações desportivas, e de empresas. Comecei, juntamente com o Bruno, a pensar em começar cá algo do género, dadas as lacunas que foram sendo detectadas. Entretanto em conversas com amigos ligados à “cena das bicicletas”, também eles utilizadores regulares da bicicleta como meio de transporte, descobrimos que havia mais gente a pensar nisso. ;-) E resolvemos unir esforços e avançar com o projecto.

Fizémos um exaustivo benchmarking e decidimos adoptar o modelo britânico e o seu National Standard. O próximo passo foi fazer o curso de instrutores para aprofundar a nossa aprendizagem, consolidar e certificar a nossa experiência e conhecimentos obtidos empiricamente, e aprender processos e técnicas de pedagogia. Foi uma experiência muito enriquecedora e compensadora. :-) A fase seguinte está a ser a adaptação e desenvolvimento de processos e materiais,… e praticar! Muitos meses de preparação, de estudo, de reuniões, de desenvolvimento… por uma excelente causa. :-)

Estamos todos muito entusiasmados com isto porque sentimos que estamos a trazer algo de novo e muito válido para o nosso país, que poderá contribuir para que mais pessoas vençam os seus receios e adoptem a bicicleta como meio de transporte regular, e o façam com confiança e em segurança. O lema e objectivo global do National Standard britânico, e que a Cenas a Pedal subscreve totalmente é: Mais pessoas a pedalar, mais frequentemente e em maior segurança.

Porquê o modelo britânico?

Relativamente ao modelo canadiano – o CAN-BIKE, por exemplo, o britânico tem uma estrutura simplificada e orientada para resultados (os “outcomes”). Provém de uma organização com uma longa história e com um papel bastante pró-activo na sociedade inglesa, e obteve o apoio e a colaboração de diversos sectores da sociedade, sendo que é actualmente um programa a nível governamental. O CAN-BIKE é algo oferecido pela Associação Canadiana de Ciclismo desde 1985 e tido como padrão nacional mas não é algo integrado a nível governamental. Nos EUA, passa-se algo similar com a Liga de Bicicletistas Americanos. A proximidade geográfica e cultural também teve uma influência determinante na escolha de qual o modelo a adoptar como ponto de partida.

O Padrão Nacional britânico é a nossa base, mas procuraremos incluir input de outras ideias e experiências na evolução do nosso projecto, sempre com o objectivo de o adaptar ao nosso contexto cultural, legal, económico e social.

O National Standard partiu de uma organização pioneira a nível mundial no que toca à representação e defesa dos direitos dos ciclistas, que existe desde 1878 e conta com 60.000 membros. O Cyclists’ Touring Club (CTC) desenvolveu e propôs ao governo britânico um programa nacional de formação de ciclistas em 1936. O objectivo era reduzir a sinistralidade rodoviária crescente derivada do grande aumento do trânsito na estrada verificado nesse período. Mais de 10 anos depois, o Cycling Proficiency foi implementado. Este programa era coordenado por uma organização de beneficiência e só ensinava os ciclistas – geralmente crianças em idade escolar – a fazer manobras no recreio da escola ou longe do tráfego (um bocado o que a PRP faz actualmente cá em Portugal) e funcionou até 1974. Desde essa altura que a formação em condução de bicicleta para objectivos de segurança rodoviária passou a ser responsabilidade das autoridades locais, enquanto que uma série de outros programas foram surgindo em outros sectores como o da saúde. Em 2002, antes da criação do Programa de Formação em Condução de Bicicleta para Adultos para os Departamentos de Transporte e de Saúde, o CTC fez uma revisão do estado nacional da oferta de formação em condução de bicicleta e apresentou uma série de recomendações aos ‘policy makers‘. Estas propostas foram subsequentemente integradas nas políticas nacionais. Actualmente o National Standard está sob a custódia da Cycling England, uma organização criada para implementar as políticas governamentais na área da promoção da utilização da bicicleta. O Bikeability é o nome do National Standard para o consumidor, é o produto de marketing criado para significar algo junto das pessoas e ocupar o lugar do Cycling Proficiency.

O National Standard tem sido desenvolvido por todos os órgãos envolvidos na formação em condução de bicicletas e é apoiado pelo Governo britânico, pelas autoridades locais, bem como por organizações de utilizadores de bicicleta e de segurança rodoviária. O novo National Standard forma ciclistas para serem competentes e confiantes na utilização das suas bicicletas para todo o tipo de deslocações.

Estamos assim confiantes de que poderemos avançar com um serviço bastante desenvolvido e com boas bases de sustentação. :-)

[Iremos apresentando mais info dos cursos ao longo das próximas 2 semanas.]

Estamos de volta

SPEZI - we're closeFoi muito bom, mas o regresso ao (nosso) mundo real é inevitável. Por um lado é frustrante, por outro deu-nos mais uma injecção de energia para continuarmos a trabalhar na divulgação, educação e promoção das cenas a pedal por terras lusas, para um dia todos podermos usufruir daquilo, daquelas experiências, cultura, estilo de vida, daquele prazer. ;-)

A SPEZI teve a sua primeira edição em 1996, contando então com 1 pavilhão, 22 expositores e 1800 visitantes. A do ano passado, 2007, já teve 3 pavilhões, 90 expositores e 8000 visitantes. Aguardamos pelas estatísticas da 13ª edição, a deste ano, 2008. Este evento (dirigido ao público, não é uma feira profissional) surgiu da iniciativa da equipa da loja de bicicletas especiais Haasies Radschlag (localizada no centro de Germersheim, na Alemanha). “Rad Schlag” significa, aparentemente, algo como “pancada das bicicletas”, e adequa-se perfeitamente. ;-)

Haasies Rad Schlag - SPEZI organizers' special bike shop Rad Schlag - SPEZI organizers' special bike shop

Esta feira inclui:

Três pavilhões com diversos expositores: fabricantes, importadores, lojas, associações, etc, onde podemos encontrar bicicletas e triciclos para touring, commuting, desporto ou simplesmente lazer, dobráveis e não dobráveis, reclinadas ou convencionais, acessórios, velomobiles, bicicletas e triciclos para pessoas com necessidades especiais, bicicletas para transporte de carga, tandems, informação sobre programas de férias em bicicleta, etc. Por vezes um expositor pode deixar-nos levar um veículo lá para fora para experimentarmos (eu fiz isso com umas duas bicicletas - mas presumo que a facilidade seja mais para “traders” do que para o público geral). Ex.: stand da KMX Karts, já com os novos modelos em exposição:

At the KMX Karts' booth At the KMX Karts' booth

Uma zona de test rides (muito concorrida) no exterior, onde temos 20 minutos (de cada vez, podemos repetir, basta voltar para a fila) para experimentar o que nos apetecer de um grupo vasto de bicicletas, triciclos e tandems “especiais”. As crianças também têm uma zona para test rides só para elas.

Test track Test track

Também no exterior havia vários expositores, uns oficiais (marcas/lojas estabelecidas), outros mais informais, de inventores que usam a feira para apresentar o seu novo produto (por vezes um protótipo) e testar as reacções. Logo ao aproximarmo-nos da entrada da feira passámos por isto:

New contraption for carrying kids and cargo by bike New contraption for carrying kids and cargo by bike

Presumo que a vantagem seja poder levar a criança mais “protegida” e mais perto do chão (baixando o centro de gravidade), mas desconheço o conforto que aquilo poderá oferecer.

Pudémos falar com o Nicolas Abouchaar, que veio do Líbano para apresentar na SPEZI (informalmente) a sua invenção, um triciclo para crianças. A ideia era conceber um triciclo em que os miúdos não tivessem que passar a perna por cima para se montarem nele. Outras vantagens rapidamente descobertas foram o potencial publicitário e o “dar boleias”.

Kid's trike, an invention from Nicolas (Lebanon) Kids quickly come up with unpredicted uses for stuff

Ele prevê ter o triciclo em produção no Verão deste ano, e está à procura de parceiros comerciais, pelo que contactos são bem-vindos (phoenus @ gmx . de).

Esta zona exterior está cheia de bicicletas estacionadas por todo o lado, pertencentes aos visitantes e a alguns dos expositores. Por exemplo, vimos uma Mobiky lá que fiquei a saber que pertence ao dono da ManyBells. :-)

ManyBells' owner's Mobiky parked outside

Também vimos uma Xtracycle, uma outra longtail de que também já falei num post anterior, a Yuba Mundo, ambas ali em nome dos distribuidores alemães.

An Xtracycle The Yuba Mundo

Também vi este veículo que parece um mix de máquina de step e nordic walking móvel…

I wonder what that is...

Esta área central de livre-acesso é ponto de encontro de interessados e entusiastas que se deslocam à feira com os seus veículos para partilhar experiências, conviver com pessoas com os mesmos interesses and spread the love. :-). Dá para fazermos test rides de muitas cenas a pedal. ;-) Vêem-se coisas mais clássicas no meio de outras mais sofisticadas, como esta Penny Farthing rodeada de velomobiles:

Penny Farthing amongst velomobiles Hmmm...

O Bruno chegou a experimentar um velomobile, embora não exactamente aquele que ele quer para ele. ;-) [Vídeo por editar.]

Bruno checking out a velomobile

No domingo ao início da tarde houve a tradicional corrida de trikes.

Trike race Trike race

Depois o espaço foi ocupado com insufláveis e trampolins para entretenimento dos mais pequenos.

Também houve conferências, mas nós focámo-nos em ver e experimentar o máximo de veículos, e deixar o blá blá blá para segundo plano; há que definir prioridades, after all. :-P

Após a corrida de trikes o Bruno pôde experimentar o KMX Typhoon e o Cobra, ambos equipados com um kit de assistência eléctrica BionX. It took his recumbent grin to a whole new level. :-P

Bruno and Alan talking about the Typhoon with Bionx Bruno preparing for another ride

O Peter Eland, da revista Velovision, também deu uma voltinha, e terminou testando o power do Cobra a subir e descer uns degraus. Aquilo é um camião, pá. :-P

Peter Eland from Velovision preparing to ride the BionXed Cobra up a flight of stairs Peter Eland riding up some steps

Foi uma experiência muito boa para nós, enriquecedora, divertida. Foi bom conhecer pessoalmente e conversar com algumas das pessoas com quem trabalhamos, outras que nos habituámos a “seguir”, como o Peter, outras que não conhecíamos, como o James McGurn, que é o autor de um livro que comprámos na feira, e que ele nos autografou e tudo, e outros… :-) Foi mesmo 5 estrelas.

Bikes & Babes

Em 2005, uma mulher cujo marido é obcecado por bicicletas resolveu produzir um calendário sensual - Cyclepassion - para lhe mostrar que há mais na vida que bicicletas. A opção foi preparar um calendário com bicicletas topo-de-gama (em performance, a estética é mais difícil de julgar) misturadas com mulheres topo-de-gama (em estética, a performance não dá para perceber pelas fotos :-P ). Como gaja myself não percebo muito bem qual era a ideia da senhora, se se queixava de estar sempre rodeada de bicicletas, peças de bicicletas, revistas de bicicletas, etc, não vejo como adicionar a isso superbabes vá devolver-lhe o marido, mas ok.

Já vai na 3ª edição, este calendário. Só tenho pena de não haver em versão para ciclistas mulheres. :-P Também temos direito, não?

Fechados para férias

posterDe 24 a 30 de Abril a Cenas a Pedal estará offline: o blog estará em piloto automático, e quaisquer pedidos de info e/ou encomendas ou solicitações de serviços de aluguer dos KMX terão que aguardar pelo nosso regresso. Para coisas urgentes, usem o telemóvel, please. O mail será consultado consoante consigamos ter acesso à net em Germersheim, na Alemanha, onde estaremos a visitar a SPEZI (à terceira é de vez ;-) ), «Europe’s largest Show for recumbents, recumbent tricycles, quadracycles, folding cycles, tandems, family cycles, velomobiles, transporters, electrical bikes, special needs bikes, adult kick scooters, child and load trailers, customized designs, accessories». O paraíso na terra, portanto. ;-)

Entretanto, se puderem não percam o encontro de bikes alternativas no Porto, e a Massa Crítica, ambos na 6ª-feira, 25 de Abril, feriado do Dia da Liberdade / Revolução dos Cravos. Haverá feriado mais valioso e melhor maneira de o gozar do que a pedalar e rodeado de bicicletas fixes? ;-)

The Bicycle Buyer

Nova adição à lista de publicações sobre bicicletas, a The Bicycle Buyer (em inglês, claro está), será lançada a 12 de Setembro de 2008 (coincidência, exactamente no dia do 2º aniversário da Cenas a Pedal). Penso que o focus será no desporto e no lazer activo, mas talvez haja espaço para bicicletas mais utilitárias, também, quem sabe? Pelo menos é essa a tendência do mercado.

Esta revista é para o consumidor, e pretende guiar os novos no ciclismo/bicicletas quanto a qual o produto adequado, quais os acessórios que farão toda a diferença e como abordar diferentes estilos de utilização da bicicleta. O público-alvo tem entre 25 e 35 anos e atingiu o ponto onde encontrar uma actividade de lazer saudável é essencial para se manter em forma.

[Via]

Bike blog quiz

I did the quiz, suggested by Fritz, and this was my result:

Fiendish bike blog quiz


Myspace Quizzes


100%

(10 out of 10 Questions Correct)




Take Fiendish bike blog quiz

Find more quizzes at Quibblo.com

Quibblo



:-P Ok, ok, I admit, some of the answers were too unsure, but hey, the instinct got me there, anyway! ;-)

Bike world economics

A(s) crise(s) em curso e por vir e as bicicletas

Wheels & Heels

Na onda do Pret-a-Rouler (espreitar algumas fotos aqui), já aqui falado, surgiu uma nova iniciativa com mais ou menos os mesmos objectivos, o Wheels & Heels.

wheels-heels.jpg

O evento fez parte da Semana da Moda de Londres, e foi organizado por duas Câmaras Municipais Juntas de Freguesia. Uma rua foi transformada em passerelle, e as boutiques em redor ficaram abertas até mais tarde, integrando o evento.

A festa aconteceu na noite de dia de S. Valentim. :-)

roblampard.JPG
Foto: Rob Lampard (fonte)

O objectivo foi o de servir de montra a alguns dos designers locais e mostrar - especialmente às mulheres - que a opção pelo uso da bicicleta no dia-a-dia não tem que significar um sacrifício do guarda-roupa e uma dieta à base de licra. Pesquisas indicam que as mulheres de todas as idades usam menos a bicicleta do que os homens, sendo a diferença mais acentuada na faixa dos 17-20 anos, sendo por isso importante mostrar alternativas de vestuário que se coadunem com os gostos e prioridades das mulheres e que as atraiam para a bicicleta.

roxyerickson.jpg
Foto: Roxy Erickson (mais aqui)

Pessoalmente, gostei mais das propostas do Pret-a-Rouler do que deste (a avaliar pelas fotos a que tive acesso), mas todas as inicitivas são bem-vindas! ;-)

Even roadies are starting to get it

Ora, o Lance Armstrong vai abrir uma loja de bicicletas em Austin (EUA) vocacionada para os ‘commuters’, os utilizadores de bicicletas para transporte. O Lance Armstrong é um atleta profissional do ciclismo de estrada (ganhou a Tour de France 7 vezes consecutivas).

Entretanto, outro roadie de topo, David Zabriskie, lançou uma campanha de segurança rodoviária, a Yield 2 Life (algo como “dê prioridade à vida”) para sensibilizar ciclistas e automobilistas para um comportamento mais cortês e seguro nas estradas.

E em Portugal continua-se a dizer que as bicicletas não têm lugar nem papel nas cidades… Não esperem que por cá os progressos sejam top-down, têm que ser as bases a levar as coisas em frente e fazer a mudança bottom-up. Just ride your bike whenever you can, nevermind those who say it can’t be done. They are so wrong…. ;-)

“A oficina de bicicletas”

A oficina de bicicletas do Mestre Augusto fica na Chamusca numa rua histórica onde trabalharam há muitos anos alguns dos maiores Mestres da terra na arte do ferro, da ourivesaria e do comércio puro e duro do vinho, das fazendas e da mercearia. Hoje já todos passaram à história. Depois de morrerem os homens, transformaram-se os edifícios e adaptaram-se a outras áreas de negócio ou pura e simplesmente fecharam portas.

No número 42 da Rua Câmara Pestana, a oficina de bicicletas do Mestre Augusto continua a ser um local de trabalho diário. Lá tudo ainda é como há meio século atrás. O trabalho pode ser feito na hora, ninguém precisa de pagar adiantado, os preços do serviço prestado estão ao nível do que se praticava no tempo da outra senhora e o atendimento é feito à porta, já que o espaço da oficina mal dá para o Mestre pendurar duas bicicletas ao mesmo tempo.

Quem passa todos os dias na Rua Câmara Pestana nem dá pela presença do Mestre Augusto, enfiado naquele rectângulo de um rés-do-chão de uma casa igualmente quase centenária. O Mestre Augusto tem 86 anos e todos os dias cumpre rigorosamente um horário de trabalho normal, com o espírito de quem está a iniciar um negócio e precisa de ser útil à sociedade e de satisfazer o cliente para que ele volte da próxima vez.

Um dia destes, na deslocação que faz de casa para o trabalho e do trabalho para casa, montado numa velha pasteleira, alguém se descuidou e abriu a porta do carro já estacionado precisamente no momento em que o Mestre Augusto pedalava a caminho da oficina. Deu um trambolhão de se lhe tirar o chapéu e temeu-se o pior. Mas as mazelas de uma queda aparatosa de um homem de 86 anos podem parecer cenas de um filme de Manuel de Oliveira se observadas à luz do destino e da arte de viver com as raízes bem presas ao chão. Como os ossos não se partiram o Mestre Augusto assim como caiu se levantou, e quanto a ferimentos não há nada que o mercúrio e as sulfamidas não resolvam num corpo habituado aos rigores do trabalho de uma oficina.

É muito normal vê-lo a trabalhar quase às escuras ao fim da tarde porque ainda guarda o velho hábito de poupar na luz eléctrica. Quem for bom observador vai reparar que àquela porta ainda se concentra muita gente a falar da vidinha e das novidades da vila.

Quer saber quem foi o último riquinho da terra a passar um cheque sem cobertura? O último caçador a errar o alvo? O último pescador a cair ao rio com o peso da cana de pesca? O ultimo barbudo a empenhar as barbas? O último careca a perder o capuchinho? Então devolva a bicicleta à sua vida e ganha o direito de partilhar a oficina de um dos últimos Mestres da Terra Branca na arte de trabalhar… para aquecer.

Fonte: O Mirante, artigo de JAE

Aqui em Porto Salvo também há uma oficina assim, minúscula e antiga. Bom, o mecânico não tem ainda sequer perto de 86 anos, mas já me afinava os travões e as mudanças de borla quando eu era miúda (e ainda me enchia os pneus de vez em quando), por isso a oficina já existe pelo menos há 15-20 anos. Este tipo de oficina de bairro (e sem estar associada a uma loja de bicicletas) já é uma raridade… :-(

Roupa iluminada

Investigadores do centro de inovação William Lee que funciona no departamento de materiais da Universidade de Manchester inventaram uma fibra que emite luz, que usada para criar peças de roupa poderá ter usos interessantes como equipamento de segurança durante a noite. Este equipamento seria uma boa adição aos tradicionais reflectores, que estão limitados à necessidade de existir uma luz que incida num ângulo adequado para serem visíveis.

sistemas-de-iluminacao.pngNo caso dos utilizadores de bicicleta, é comum complementar o reflector traseiro com luzes que podem piscar ou não;

Têm aparecido alguns produtos reflectores para usar no torso que poderão aumentar a visibilidade da pessoa, dando maior noção da sua presença;

Alguns destes produtos começam a trazer embutidos LEDs que complementam a função do material reflector, quando não exista uma fonte de luz para que este faça a sua função;

Ter peças de roupa comum com propriedade luminescente é sem dúvida uma evolução interessante, sem que seja exclusiva ao uso de roupa de segurança para andar a pé ou de bicicleta , tem um potencial para criar novas tendências de moda (pela utilização de padrões e imagens iluminadas) se a fibra se equiparar às actuais fibras usadas na confecção de roupa. Uma fibra com estas propriedades que possa ser lavada da mesma forma que as fibras comuns e que tenha resistência equiparada, é de desejar que consiga atingir níveis de produção que a tornem acessível aos produtores de roupa e suficientemente barata para o consumidor final.

fio-emissor-de-luz.jpg

Um factor também interessante é o facto de as fibras terem uma estrutura que torna possível fazer roupa que incorpore várias fibras de cores diferentes para criar desenhos ou padrões:

fio-emissor-de-luz_varias-cores.png

Porém no fim de tudo, será que o uso de material reflector, como coletes, não permite que os condutores dos carros simplesmente andem mais depressa em locais escuros à espera que estes saltem à vista, podendo por em risco outros utilizadores da via e animais que não tenham este equipamento? [EN]

Festival Bike Portugal 2007

No próximo fim-de-semana, dias 2, 3 e 4 de Novembro, vai ter lugar no CNEMA, em Santarém, o 4º Festival Bike Portugal - 4ª edição do Festival Internacional da Bicicleta, Equipamentos e Acessórios e do Salão de Ciclismo Profissional. É a maior feira desta indústria em Portugal e é uma oportunidade de ver de perto várias marcas e lojas no mesmo local e na mesma data. A organização diz ainda que haverá uma zona de test drives no exterior, da responsabilidade das marcas que estejam interessadas nesse serviço. Talvez se prove uma boa oportunidade de testar algumas máquinas. ;-)

Ao longo dos três dias irão decorrer uma série de demonstrações, campeonatos e de provas e passeios desportivos. No sábado e no domingo haverá sorteio de bicicletas. Este evento é marcadamente focado na bicicleta como instrumento de desporto, não está virado para a mobilidade, no entanto, qualquer bicicleta mais “desportiva” pode ser usada para commuting. ;-)

Estão ainda previstos 5 workshops. Os mais relevantes para o ciclista urbano, utilitário, serão possivelmente o de “Suporte Básico de Vida - Primeiros Socorros no BTT“, às 21h de sexta-feira, e o de “Mecânica de bicicletas“, às 20h de sábado. Este último será novamente dado pelo Ricardo Figueiredo, como no ano passado (esperemos que decorra sem os mesmos sobressaltos).

Horários e preços:

Dia 2 (Sexta-feira): 17h - 23h
Dia 3 (Sábado): 10h – 23h
Dia 4 (Domingo): 10h – 20h

Bilhetes de 1 dia: 4 €
Bilhete 3 dias: 6 €
Crianças até 11 anos (inclusive) não pagam.

Complete Armani bike commuter look

Isto é antigo, mas só descobri agora.

O estilista italiano Giorgio Armani apresentou no Verão de 2005, em Milão, a sua colecção de roupa de homem para a primavera de 2006, tendo terminado o desfile com os manequins a fazerem uma volta de bicicleta no palco, ao som de “Bicycle Race”, dos Queen. Mas não eram bicicletas “normais”, eram “Armani”, umas híbridas de look desportivo, pretas, feitas pela Bianchi, e tinham até um suporte para iPod. Previa-se estarem disponíveis nas lojas Armani no final de 2005.

[Fonte]

Era bom ver mais disto, a bicicleta associada a símbolos de beleza, status económico e social, mais frequentemente, pois penso que isso aceleraria a adopção desse lifestyle pela população geral.

Pessoalmente, é bom variar e ver tipos giros associados a bicicletas caras em vez de associados a carros caros. É mais sexy. ;-)

[Via BikeBiz]

Comércio tradicional de bicicletas

Esta oficina é em Oeiras:

Achei interessante falarem sobre as bicicletas dos hipermercados, pechinchas a 50 € ou menos que depois saem caras na oficina. O meu irmão comprou uma há uns anos, por este preço, e gastou logo o dobro ou o triplo ou lá o que foi a substituir peças. Not a smart move. :-P

Uma bicicleta dobrável Mercedes-Benz

Eu vejo com alguma reserva as invenções a pedal que, de vez em quando, os fabricantes de automóveis apresentam, principalmente os de marcas de luxo… Não percebo bem a motivação por detrás da ideia e tendo a dar mais crédito a quem se dedica a full time a desenhar e construir bicicletas… pelas bicicletas. A BMW tem alguns modelos. A Mercedes-Benz também tem uma série delas, mas o que despertou a minha atenção foi a última novidade deles (a ser lançada em Abril de 2008), uma bicicleta dobrável. You know I have a thing for folders. ;-)

Tem suspensão no garfo e no quadro, travões de disco com um “imobilizador” integrado (como nos carros), um suporte para bagagem que permanece na horizontal quando a bicicleta está dobrada, permitindo manter lá as compras, por exemplo (cool feature). Totalmente dobrada, fica um volume de 80 x 80 x 28 (cm). O mecanismo de dobragem também aparenta ser simples e rápido. Faz lembrar a Mobiky, embora não dê para usar como um trolley e conduzir como esta, pelo que consegui perceber. É uma bicicleta com bom aspecto e de design inteligente. Tenho curiosidade em saber o preço, mas não deve destoar do resto dos produtos da marca. ;-) Quem sabe não será esta a maneira de pôr mais gente a andar de bicicleta no dia-a-dia, oferecer a alternativa de o fazer com o mesmo nível de status económico? Por mim, desde que isso sirva para tirar gente de dentro do carro, I’m all for it! :-)

[Via]