Archive for the 'Infraestruturas e urbanismo' Category

Formação de ciclistas, nas escolas, nos Países Baixos

Há pessoas que justificam a necessidade ou a “bondade” das ciclovias por pensarem que estas permitem que pessoas sem formação em condução e segurança rodoviária (tanto adultos como crianças e jovens) possam assim deslocar-se de bicicleta em segurança. Contudo, este raciocínio é errado. John Forester simplificou e unificou o ciclismo veicular em 5 princípios básicos de como o trânsito funciona e de como o ciclista age em cada situação. Os 5 princípios são:

  1. Conduz do lado direito da faixa de rodagem, não do lado esquerdo e nunca no passeio.
  2. Cede passagem ao tráfego de atravessamento em ruas superiores.
  3. Cede passagem ao tráfego que te ultrapassa antes de mudar de via de trânsito.
  4. Posiciona-te de acordo com o teu destino ao aproximares-te de uma intersecção.
  5. Posiciona-te de acordo com a tua velocidade relativamente ao restante tráfego entre intersecções.

Como ele diz, se um ciclista obedecer a estes 5 princípios, poderá circular de bicicleta em muitos sítios com uma reduzida probabilidade de causar conflitos de trânsito. Não fará tudo da melhor forma possível, e ainda não saberá como se safar de sarilhos que outros condutores possam causar, mas sair-se-á melhor que a média dos ciclistas.

Ora, que princípio destes 5 é possível não conhecer e respeitar e ainda assim conduzir em segurança, se circularmos por ciclovias?…

As ciclovias exigem MAIS conhecimento e competência para serem seguras, tanto de ciclistas como de quem se cruza com eles, especialmente num país com o nosso quadro legal.

O facto de nos Países Baixos (nomeadamente na Holanda), cujo nível de qualidade das ciclovias é infinitamente superior ao nosso, que tem regras de trânsito mais vantajosas para os ciclistas, e que tem uma imensamente maior cultura de utilização da bicicleta, ter programas de formação de condução e segurança rodoviária em bicicleta implementados nas escolas (de modo a chegar a toda a população), quer dizer alguma coisa.

Se lá isto é importante, que dizer de cá?

Não vou comentar, pelo menos desta vez, a metodologia de formação aplicada, que transparece neste vídeo. Pretendo apenas chamar a atenção para o facto de haver formação universal gratuita e garantida pelo Estado.

Cá pretende-se começar pelo telhado (ciclovias, ainda por cima más, muitas vezes), deixando as paredes (legislação e formação) para “um dia”.

Precisamos de mais pessoas formadas nestas questões e de mais indivíduos e empresas a trabalhar nesta área (a Cenas a Pedal não daria vazão a todo o país :-P ), precisamos de discutir longamente e desenvolver abertamente com os vários stakeholders um Padrão Nacional de Formação para procurar garantir o máximo de qualidade, e precisamos que o Estado apoie este tipo de programas para adultos e, principalmente, que os implemente nas escolas, porque “de pequenino é que se torce o pepino” (e porque fazer isto nas escolas é mais eficiente do ponto de vista dos custos e porque garante que toda a população tem acesso a isto e não simplesmente só os que podem pagar e/ou os que estão interessados à partida – tal como a Matemática, a Ed. Física, etc).

O Estado português precisa de “put its money where its mouth is“, como dizem os americanos, e passar da conversa mole sobre sustentabilidade e bicicletas e peões e transportes públicos e green e nova mobilidade e obesidade infantil e blá blá blá,… à acção (com resultados!).

Tenho dito.

V Conferencia Europea de Vías Verdes

É em Madrid, de 10 a 12 de Junho de 2010.

Objectives: The aim is the exchange of experiences and good practices, between political and technical agents in charge of European Greenways entailed in its planning, maintenance, management and promotion, as well as related civil associations such as as: cyclists, pedestrian, disable people, and companies interested in its use and operation. The event will also focus on proposing recommendations to promote and develop a European greenways policy.

Les Hamsters mobiles

Concurso de design de abrigos para estacionamento para bicicletas:

«Share the Road – Buses and Bicycles»

Share the Road – Buses and Bicycles from Chicago Bicycle Program on Vimeo.

Um vídeo útil. Também permite tirar ilações acerca do efeito dos corredores para velocípedes na segurança e eficiência do trânsito.

3er Congrés de la Bicicleta

É já daqui a um mês, de 14 a 17 de Abril, em Lleida, Espanha, o 3º Congresso da Bicicleta.

Os temas deste ano são infraestrutura & legislação. A última edição foi em 2008.

Checkem a agenda. :-)

Estou a ponderar ir! Mas ainda é uma brincadeira para ficar nuns 300 € mesmo na versão mais low-cost, e 3 dias de trabalho… Logo se vê como correm as próximas 2-3 semanas para a Cenas a Pedal. ;-P Alguém por aí está também com ideias de ir?

«100 dias de Bicicleta em Lisboa – a Contribuição do Modo BICI na Gestão da Mobilidade»

Apresentação e podcast (parte 1 e parte 2) da intervenção do Engº. Civil (de vias de comunicação e transportes) Paulo Guerra Santos na sessão de Ponto de Encontro da Lisboa E-Nova de 25/02/2010, com o tema «100 dias de Bicicleta em Lisboa – a Contribuição do Modo BICI na Gestão da Mobilidade». Oiçam também o podcast (parte 1 e parte 2) do Diálogo moderado.

Esta apresentação concentra-se na dissertação de mestrado do Paulo, que foi aprovada pelo ISEL em 2009. Principalmente a todos os que achem interessantes, credíveis, e positivos a apresentação e o projecto do Paulo, recomendo vivamente que leiam e analisem criticamente a sua dissertação e não se limitem ao cheerleading automático e desinformado. O facto de ter sido realizada por uma pessoa formalmente instruída em engenharia de tráfego (licenciatura + mestrado), e que efectivamente se prestou a andar de bicicleta durante o processo, e ter sido aprovada por um organismo de ensino superior (público), com a chancela do Vice-Presidente do InIR, e ter procurado, angariado e aproveitado tanta atenção dos media, implica um elevado grau de responsabilidade técnica e política de todos os envolvidos e é, consequentemente, um reflexo do nível dessa mesma responsabilidade técnica e política, nesta área, no nosso país, hoje em dia. A não perder, então.

«Mobilidade sustentável na cidade: ciclovias em lisboa»

Apresentação e podcast da intervenção do Arq.º Paisagista João Castro na Conferência “A Mobilidade Sustentável na Cidade” (Lisboa E-Nova, 03/02/2010), com o tema “Ciclovias em Lisboa”. Dada a escassez geral de informação disponibilizada pela CML aos cidadãos acerca destes projectos, é sempre bom ter acesso a estes pequenos bits de info. Não percam ainda o podcast (parte 1 e parte 2) do Diálogo moderado, muito elucidativo…

Arquitectura vs. engenharia

Aqui há tempos comecei a aperceber-me que, em Portugal, as chamadas ciclovias são frequentemente projectadas por arquitectos paisagistas, quando as rodovias normais são projectadas por engenheiros civis com especialização em vias de comunicação rodoviárias. Now, that got to mean something, right?… Quais as causas desta dualidade, e quais as consequências? Não deveriam todas as vias de comunicação ser projectadas por equipas de engenheiros e arquitectos paisagistas? Para que todas as vias (rodovias, ciclovias, ferrovias, redes pedonais, whatever) fossem eficientes, o mais seguras possível, bem enquadradas na paisagem e minimamente agradáveis de percorrer? Ou será apenas um erro de análise muito superficial da minha parte, e na verdade já é isto que acontece?…

Quem gera o quê?

Diz-se que as ciclovias geram ciclistas. Há quem vá mais além e diga que as ciclovias geram grande aumento de ciclistas (outros defendem que há outros factores que podem surtir o mesmo efeito), ou que as ciclovias geram grande aumento de ciclistas em pouco tempo. Mas também há quem suspeite que os ciclistas é que geram as ciclovias…

Hoje encontrei um exemplo desses num blog que sigo:

O uso da bicicleta em São Francisco aumentou 53% desde 2006 sem nenhumas mudanças nas nossas infraestruturas para bicicletas. Apesar das batalhas legais [tem estado em vigor nos últimos 3 anos uma injunção que proíbe quaisquer infraestruturas para bicicletas de serem construídas] e do aumento do tráfego automóvel na cidade, o número de pessoas que tem escolhido andar de bicicleta em SF aumenta todos os dias. Nós vingaremos. Nós ganharemos o nosso lugar de direito na rua. Já está a acontecer!

O que é curioso é que se trata de um paradoxo. O número de ciclistas tem aumentado significativamente sem vias especiais (outros factores estarão em jogo), usando as vias normais a que têm direito como operadores de veículos (embora alguns usando os passeios, concerteza), ocupando – literalmente – o seu lugar de direito na rua. E este aumento e este usufruir de direitos é depois usado para reivindicar corredores para bicicletas como sendo estes o lugar de direito dos ciclistas… Um lugar mais pequeno, mais complexo e potencialmente mais perigoso… O que aconteceria se o número de ciclistas continuasse a aumentar e não houvesse vias especiais para eles? Que consequências isso traria para a distribuição modal, para a segurança rodoviária geral, etc?

Infraestruturas para bicicletas: rampas rolantes

O Bruno descobriu isto aqui há tempos, um vídeo sobre um sistema automatizado de estacionamento de bicicletas no Japão. Giro, mas o que me interessou mais foram na verdade as escadas de acesso ao local, com rampas ao lado para descer (largas e com mini-lombas) e com uma rampa rolante do outro lado para ajudar a subir as escadas com a bicicleta.

Sou sensível a isto, já experimentei subir as escadas sobre a estação de comboios de Belém com a bicicleta pela calha mas não consegui porque tinha a bicicleta carregada com coisas para passar um dia a passear e na praia…

Técnicos e políticos deste país, ponham os olhos nisto e gastem dinheiro em coisas destas!