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Cenas a Pedal na Velo-City 2010, em Copenhaga

Começa hoje a conferência Velo-City, a primeira edição “Global”, agora é anual. Decorre em Copenhaga, na Dinamarca, pelo que é uma excelente oportunidade para, paralelamente, ter a possibilidade de experimentar a observar ao vivo e a cores uma cidade que tem sido “heavily marketed” como uma cidade para ciclistas.

Decidimos aproveitar esta oportunidade e por isso vim. Venho em representação da Cenas a Pedal, mas também indirectamente dos outros projectos grassroots a que estou associada pessoalmente, pelo que estou a usar vários chapéus. :-)

Apenas 3 outras entidades portuguesas estão registadas, sendo que o alcance dos seus chapéus é de pelo menos 5 entidades, entre imprensa, empresas de consultoria, ONGs, institutos de investigação e municípios. Mas para uma nano-empresa como a nossa, isto é um grande investimento, mas apenas traduz o nosso interesse e empenho pessoal e profissional nesta área.

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Entretanto, ontem já fui levantar uma bicicleta à Baisikeli, que cede as bicicletas para os participantes da Velo-City que o tenham solicitado. É um pouco grande para mim, mas serve. :-) Agora é sair e pedalar!

Bicycle Politics: symposium and workshop

Vai ter lugar nos dias 16 e 17 de Setembro deste ano, no Centre for Mobilities Research, na Lancaster University, em Lancaster, no Reino Unido, o simpósio e workshop “Bicycle Politics”.

Parece muito interessante! :-)

The major role and relevance of bicycles and cycling to future life seems increasingly unquestionable. On the ground, projects across the world are committed to promoting cycling and/or cycling-oriented subcultures. In both theory and practice, there’s a real energy and vitality to think about cycling differently, to carve out alternative possibilities around the bicycle.

But if cycling is enjoying a renaissance, it is also under fire. Whilst almost everywhere people are pushing for cycling, it also seems that almost everywhere cycling is deeply problematic – contentious, oppressed, discriminated against.

Bicycles, cycling and cyclists seem to invoke love and hate in equal measure …

Bicycle Politics, a two day event hosted by the Centre for Mobilities Research (CeMoRe) at Lancaster University, UK, aims to explore bicycles and cycling politically. By thinking creatively and critically, its political project is to help push bicycles and cycling further into the hearts of our cities and societies, to improve the possibilities for cycling to re-make our world, to assist cycling’s obvious potential to contribute to alternative, sustainable mobility futures.

To this end, we are calling for critical explorations of the political, social, cultural and economic barriers to current and future cycling, as well as for critical investigations of the ways in which bicycles, cycling and cyclists are currently framed.

We welcome all proposals for papers which fit under the broad heading of Bicycle Politics. Such contributions might examine:

• Cycling and political economies and ideologies

• The politics of cycling ‘promotion’

• Critiques of cycling

• Cycling and discriminations

• Cycling and inequalities

• Cycling, social control, freedom and deviance

• Cycling, space and the politics of space

• Cycling, social movements and social change

• Cycling and identity

• Cycling and the politics of representation

• Feminist perspectives on cycling

• Cycling and the law

The precise structure of the event will be decided later. But we anticipate the first day comprising paper presentations, with the second day given over to deeper explorations of the papers and ideas presented the previous day. Our intention is to produce an edited collection, Bicycle Politics, from the event.

If you wish to present a paper, please send title and abstract, by Wednesday 5th May 2010, to both:

Dave Horton – d.r.horton@lancaster.ac.uk and Aurora Trujillo – a.trujilloperaire@reading.ac.uk

We aim for the symposium and workshop to be free and open to all. However, spaces could be limited. So if you would like to participate, but do not plan to present a paper, please email us to reserve a place.

Formação de ciclistas, nas escolas, nos Países Baixos

Há pessoas que justificam a necessidade ou a “bondade” das ciclovias por pensarem que estas permitem que pessoas sem formação em condução e segurança rodoviária (tanto adultos como crianças e jovens) possam assim deslocar-se de bicicleta em segurança. Contudo, este raciocínio é errado. John Forester simplificou e unificou o ciclismo veicular em 5 princípios básicos de como o trânsito funciona e de como o ciclista age em cada situação. Os 5 princípios são:

  1. Conduz do lado direito da faixa de rodagem, não do lado esquerdo e nunca no passeio.
  2. Cede passagem ao tráfego de atravessamento em ruas superiores.
  3. Cede passagem ao tráfego que te ultrapassa antes de mudar de via de trânsito.
  4. Posiciona-te de acordo com o teu destino ao aproximares-te de uma intersecção.
  5. Posiciona-te de acordo com a tua velocidade relativamente ao restante tráfego entre intersecções.

Como ele diz, se um ciclista obedecer a estes 5 princípios, poderá circular de bicicleta em muitos sítios com uma reduzida probabilidade de causar conflitos de trânsito. Não fará tudo da melhor forma possível, e ainda não saberá como se safar de sarilhos que outros condutores possam causar, mas sair-se-á melhor que a média dos ciclistas.

Ora, que princípio destes 5 é possível não conhecer e respeitar e ainda assim conduzir em segurança, se circularmos por ciclovias?…

As ciclovias exigem MAIS conhecimento e competência para serem seguras, tanto de ciclistas como de quem se cruza com eles, especialmente num país com o nosso quadro legal.

O facto de nos Países Baixos (nomeadamente na Holanda), cujo nível de qualidade das ciclovias é infinitamente superior ao nosso, que tem regras de trânsito mais vantajosas para os ciclistas, e que tem uma imensamente maior cultura de utilização da bicicleta, ter programas de formação de condução e segurança rodoviária em bicicleta implementados nas escolas (de modo a chegar a toda a população), quer dizer alguma coisa.

Se lá isto é importante, que dizer de cá?

Não vou comentar, pelo menos desta vez, a metodologia de formação aplicada, que transparece neste vídeo. Pretendo apenas chamar a atenção para o facto de haver formação universal gratuita e garantida pelo Estado.

Cá pretende-se começar pelo telhado (ciclovias, ainda por cima más, muitas vezes), deixando as paredes (legislação e formação) para “um dia”.

Precisamos de mais pessoas formadas nestas questões e de mais indivíduos e empresas a trabalhar nesta área (a Cenas a Pedal não daria vazão a todo o país :-P ), precisamos de discutir longamente e desenvolver abertamente com os vários stakeholders um Padrão Nacional de Formação para procurar garantir o máximo de qualidade, e precisamos que o Estado apoie este tipo de programas para adultos e, principalmente, que os implemente nas escolas, porque “de pequenino é que se torce o pepino” (e porque fazer isto nas escolas é mais eficiente do ponto de vista dos custos e porque garante que toda a população tem acesso a isto e não simplesmente só os que podem pagar e/ou os que estão interessados à partida – tal como a Matemática, a Ed. Física, etc).

O Estado português precisa de “put its money where its mouth is“, como dizem os americanos, e passar da conversa mole sobre sustentabilidade e bicicletas e peões e transportes públicos e green e nova mobilidade e obesidade infantil e blá blá blá,… à acção (com resultados!).

Tenho dito.

«Mobilidade sustentável na cidade: ciclovias em lisboa»

Apresentação e podcast da intervenção do Arq.º Paisagista João Castro na Conferência “A Mobilidade Sustentável na Cidade” (Lisboa E-Nova, 03/02/2010), com o tema “Ciclovias em Lisboa”. Dada a escassez geral de informação disponibilizada pela CML aos cidadãos acerca destes projectos, é sempre bom ter acesso a estes pequenos bits de info. Não percam ainda o podcast (parte 1 e parte 2) do Diálogo moderado, muito elucidativo…

Arquitectura vs. engenharia

Aqui há tempos comecei a aperceber-me que, em Portugal, as chamadas ciclovias são frequentemente projectadas por arquitectos paisagistas, quando as rodovias normais são projectadas por engenheiros civis com especialização em vias de comunicação rodoviárias. Now, that got to mean something, right?… Quais as causas desta dualidade, e quais as consequências? Não deveriam todas as vias de comunicação ser projectadas por equipas de engenheiros e arquitectos paisagistas? Para que todas as vias (rodovias, ciclovias, ferrovias, redes pedonais, whatever) fossem eficientes, o mais seguras possível, bem enquadradas na paisagem e minimamente agradáveis de percorrer? Ou será apenas um erro de análise muito superficial da minha parte, e na verdade já é isto que acontece?…

Pelo direito a usar a própria cabeça (com ou sem capacete)

A história da Sue,

Sue fights bike helmets:

já teve mais desenvolvimentos:

No Helmet, Please! (Sue went to Court)

Onde raio andarão as organizações de defesa dos ciclistas na Austrália que não estão a fazer da luta da Sue uma luta de todos os ciclistas do país?…

Lamentável ver a qualidade do juíz que julgou o caso, também…

Bicicletas voltam legalmente ao paredão de Cascais

Segundo notícias recentes no Público e no DN, a circulação em bicicleta vai voltar a ser permitida, embora com restrição horária, no paredão de Cascais.

Não estou convencida da bondade desta medida, e estou muito curiosa para ver como vão fazer, «em termos de segurança, será criado um corredor ao longo do paredão para o trânsito das bicicletas que irá dividir a sua zona com a dos peões»… Penso que a intervenção tem que ser cá em cima, ao nível da Marginal. Reformular drasticamente esta Avenida de modo a reabilitar a zona de transição terra-mar, libertar a zona costeira para usos consentâneos com o valor paisagístico, natural e económico de tal zona. Acomodar vias de circulação pedonal, vias de circulação para bicicletas, quiçá interditar os veículos motorizados privados, e implementar uma linha de BRT ou MetroBus?… Sonhar não custa. :-P

Ecovia do Algarve prolongar-se-á pela Costa Vicentina

Apanhado via Jornal do Algarve:

A ideia é criar um extenso percurso à beira-mar numa das zonas naturais mais bonitas e bem protegidas do país, entre Sines e Burgau.

Uma extensa pista para peões e bicicletas vai nascer junto ao litoral, entre Sines (concelho de Odemira) e Burgau (concelho de Vila do Bispo), atravessando uma das zonas consideradas mais belas de Portugal. A novidade foi adiantada, na semana passada, em Lisboa, pelo coordenador dos Polis Litoral, José Pinto Leite, sublinhando que as ciclovias e ecovias são “fundamentais” no programa do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina. Para além de uma enorme e ampla ecovia à beira-mar, o Polis que reúne Sines, Odemira, Aljezur e Vila do Bispo promete ainda dar uma “lufada de ar fresco” neste território, (…). Segundo apurámos, muitas das próximas grandes transformações do litoral da Costa Vicentina vão decorrer num prazo de cinco anos, sendo o programa gerido por uma sociedade financiada pelas autarquias, Estado, fundos comunitários e outros organismos. (…)

Esperemos que façam bem o trabalho de casa e que tenham as prioridades organizadas como deve ser para fazer algo verdadeiramente revolucionário em Portugal, algo que traga melhor turismo, mais gente e mais riqueza para o litoral alentejano e algarvio.

Usar a bicicleta como veículo da empresa

Parece tão lógico, contudo ainda é tão incomum que quando se verifica até é digno de nota televisiva:

Parabéns à Câmara Municipal de Vagos e aos funcionários que lançaram e aderiram à bicicleta! :-)

esta peça retrata o recurso à bicicleta como uma despromoção.

«Costa destaca importância do lazer na zona ribeirinha do Tejo»

António Costa pedalou, este domingo, pela zona ribeirinha do Tejo, para mostrar como os lisboetas podem usufruir daquela zona de Lisboa. O socialista assegurou ainda ter acordado a limitação da altura do terminal de contentores de Alcântara.

O vereador Manuel Salgado, que também vestiu a camisola, defendeu que uma cidade com bicicletas tem uma melhor arquitectura, porque «a arquitectura não são só os edifícios», mas também «o espaço público». «Precisamos de acalmar a circulação na cidade de Lisboa», frisou.

Já a vereadora Helena Roseta contou que todos os dias se desloca de bicicleta para a Câmara Municipal de Lisboa e criticou a falta de civismo de alguns automobilistas.

«Basta aumentar um metro a faixa “bus”» para dar «segurança» a quem circula de bicicleta pela cidade, disse a vereadora, considerando essa uma da pequenas medidas que a coligação de que faz parte pretende «implementar» no próximo mandato.

Ver o resto do texto, e o audio, aqui.

Bom agora só falta acabarem de uma vez a bendita “pista ribeirinha”, acabar de pavimentá-la, acabar as pinturas e marcações no chão, e pôr a sinalização em falta… E vedar o acesso dos automóveis à dita pista, e passeios associados, de dia, mas particularmente à noite, nomeadamente na zona dos bares…