Micro-logística em velocípedes

Finalmente, parece que a micro-logística em bicicleta (ou triciclo), numa escala maior que a dos “simples” estafetas em bicicleta, está a querer chegar a Portugal. Vejam esta entrevista no Diário Económico, acerca da parceria entre uma tal de Avancycles e a Adicional Logistics.

Pelos vistos estão a começar com um projecto-piloto no Parque das Nações, com um triciclo, em Lisboa. Os triciclos de carga em causa são os modelos Cargocycle da francesa La Petite Reine.

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O sucesso desta iniciativa está muito dependente das autarquias adoptarem medidas de restrição à circulação e estacionamento automóvel no centro das cidades, claro, e por isso é que estamos a ver isto a (tentar) despontar em Lisboa 14 anos depois de ter surgido em Paris, por exemplo. É o mesmo problema dos pedicabs.

Desejamos-lhes sorte, e sucesso!

Uma carrinha a menos (e a “nossa” SEM 2013)

Na Semana Europeia da Mobilidade deste ano houve três eventos mais relevantes em que participámos: estivemos na 4ª Conferência da Mobilidade Urbana, no dia 17 de Setembro em Lisboa, no Festival da Mobilidade de Almada nos dias 21 e 22 e no Marginal Sem Carros, no dia 22 em Oeiras.

Fui gentilmente convidada pela organização da 4ª Conferência da Mobilidade Urbana a apresentar a Cenas a Pedal no seu painel “Novos Projectos de Mobilidade em Duas Rodas“, o que não deixa de ser engraçado porque já não somos um “novo projecto”, assinalámos uns dias antes da conferência o nosso 7º aniversário, e porque somos até bastante pela mobilidade em três (ou mais) rodas. ;-P

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Podem consultar quase todas as apresentações aqui, e em particular a nossa aqui. Gostei muito de assistir à apresentação da Ana Alves de Sousa e à do Luís Escudeiro. Infelizmente a melhor apresentação de todas, do Hermann Knoflacher não está disponível.

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Fiquei siderada com esta apresentação, a analogia do automóvel como um vírus que se aloja nas pessoas e nas cidades, e eu já sou uma mais que “convertida”, até me deixou desconcertada para a minha própria apresentação, que foi imediatamente a seguir. Pensei “quero ser assim quando for grande“. :-) Infelizmente não encontrei facilmente coisas em inglês, mas com este vídeo já conseguem ter uma ideia da cena:

A conferência trouxe um brinde ao MUDE, um parque de estacionamento para bicicletas. Infelizmente, embora cheio de boa vontade, sem dúvida, foi mal escolhido, mal localizado e mal instalado (!). :-/ Na altura enviei-lhes um e-mail a alertar parar isso e a solicitar a correcção do que fosse possível, mas não obtive resposta nem voltei a passar lá por isso não sei se continua igual.

bike rack

Vêem, a Cenas a Pedal oferece consultoria justamente para evitar cenas destas. ;-)

Uma tenda, dois suportes de bicicleta, ferramentas, artigos de exposição, posters A0, três bicicletas de exposição, dois mecânicos e uma “hospedeira” para um evento na outra margem, o Festival da Mobilidade de Almada. “‘Bora lá alugar uma carrinha, metermo-nos na ponte 25 de Abril, dar umas voltas, matar a cabeça à procura de estacionamento, ficar nas filas?Nem pensar! Cada um pedala uma bicla, levam-se biclas de carga e atrelados. Vai-se de ferry. E já está!

Sábado 21 de Setembro, foi dia de serviço de apoio de oficina e assistência do Bicycle Repair Man ao passeio “Duas Margens, Duas Rodas“, na margem Sul.

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Os nossos dois novos “ciclo-marinheiros” estavam ocupados no seu curso de formação profissional e então fizémos outsourcing, e desta vez contámos com a colaboração do Sr. Velocorvo. Conhecemos o Pedro num evento que ajudámos a organizar em 2009 e depois também das nossas antigas andanças como voluntários da Cicloficina, e dado que o que fomos fazer a este festival era um bocado nessa onda, até foi uma coincidência curiosa. :-)

A nossa mini-banca, baseada na e-longtail do Bruno com a bancada dobrável que ele construiu aqui há uns anos atrás:

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Estaminé montado!

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Havia por lá umas cenas “malucas” a circular! ;-)

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E outras apenas em exposição. Para fazer pensar:

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Passou por lá o Hernâni, companhia de aventuras de outros tempos também, e um grande fã dos triciclos reclinados, que levou o seu KMX Cobra (embora emprestado a um amigo!):

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E o dia foi passado a arranjar, manter e afinar biclas e, muitas vezes, mostrando e ensinando aos respectivos donos como isso é feito.

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No regresso tivémos ainda a companhia da Laura, e nova agradável viagem no ferry de volta para Lisboa:

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Depois foi pedalar de volta à Av. Álvares Cabral, desde o Cais do Sodré. O Pedro conduziu a LHT do Bruno mais o CarryFreedom atrás com as ferramentas da oficina e mais umas coisas e era o único dos três com uma bicicleta sem assistência eléctrica para subir a Infante Santo carregado…

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Mas pensámos que ele não se importaria (receávamos que usar uma eléctrica poderia ir contra os seus princípios velocipédicos, até :-P ) e acharia aquilo “levezinho” dado que nos lembrávamos dele com a sua bicla do exército suiço (que era pesada comó raio!). :-P

Swiss Army bike (from ages ago)

O Pedro na sua bicla-tanque do exército suiço, numa das primeiras Alleycat races de Lisboa, em Junho de 2009.

Domingo 22 de Setembro, foi dia de serviço de apoio de oficina no Festival da Mobilidade em Almada e, durante a manhã, divulgação no Marginal Sem Carros, em Oeiras. Éramos 4 e dividimo-nos. De manhã eu fui pregar para a Marginal.

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Mas estava tanto calor que a minha vontade era ir pregar como este (estes dias sem carros na Marginal devem ser os únicos em que a experiência de estar na praia em Caxias é como deveria ser…):

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Não fotografei nada de especial, mas vi vários tandems!

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E voltei a ver este ciclista, que me despertou a atenção por ter nanismo.

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No outro dia estive a ler sobre uma pessoa, na Alemanha, que adapta as Patria Skippy para pessoas com nanismo. Na CaP sempre tivémos um interesse especial pelas questões da mobilidade e acessibilidade, nomeadamente no que concerne a pessoas com necessidades especiais. Infelizmente não temos oportunidade de pôr esse interesse e conhecimentos ao serviço dessas mesmas pessoas muito regularmente, mas esperamos conseguir mudar isso mais lá para a frente. :-)

Também vi uma colisão entre ciclistas, pessoas são pessoas, a há gente a conduzir de forma perigosa seja em que veículo for. Ao menos se forem de bicicleta em vez de carro causam menos danos…

Depois do Marginal Sem Carros fui ter com o resto da equipa a Almada. A questão era “e agora, será que vai dar para levar a bicla + atrelado no barco, ou será que me vão dizer alguma coisa?”… Na verdade correu tudo lindamente.

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E ainda encontrei gente conhecida, neste caso um cliente, o Tiago e a sua q10 City, ali em pleno uso dos novos espaços e suportes para bicicletas nos cacilheiros (viva o ciclo-activismo! :-)

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Cheguei ao Festival e os três mecânicos de serviço não paravam nem para almoçar! Tanto que os fregueses lhes traziam bebidas e até gelados para os compensar. :-)

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E depois, ao final do dia, rewind, repeat.

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E vocês, que outra coisas giras e “meio malucas” (aos olhos das massas locais) fazem que simplesmente mostrem aos outros o que é possível (e até tão fácil) fazer de bicicleta? :-)

Autocarro a pedais (bikepooling?)

O que é que é melhor que um pedicab (também conhecido por “triciclo-táxi)? Ora, um autocarro a pedais, claro!

Nada de agir como um passageiro passivo, toda a gente pedala! :-)

Dá para levar entre 5 a 8 passageiros + o condutor.

 

Digamos que isto é o equivalente ao carpooling, na versão “a pedal”. Bikepooling! ;-)

Faz todo o sentido em grandes eventos como festivais, convenções (este das fotos foi especialmente desenhado para uma convenção nos EUA, por exemplo), etc (e nós podemos ajudar).

O ABC é só o início (e podia ser tão pior…)

As pessoas acham sempre que “aprender a andar de bicicleta” é algo assim:

Um esforço impossível condenado à partida (e normalmente com várias e aparatosas quedas pelo meio, e com mais lágrimas do que risos). Mas não é, pelo menos na nossa escola! :-)

Calendário para Maio e Junho de 2012 dos vários módulos do nosso Curso de Condução de Bicicleta (com instrutores certificados!):

  • 1 – ABC da Bicicleta:
    • 28, 29 Abril, 5 e 6 de Maio, 9h30-11h00 (lotado)
    • 1 a 4 de Maio, 18h30-20h00
    • 15 a 18 de Maio, 18h30-20h00
    • 26, 27 Maio, 2 e 3 Junho, 9h30-11h00
    • 12 a 15 Junho, 18h30-20h00
    • 23, 24 e 30 Junho e 1 Julho, 9h30-11h00
    • 26 a 29 Junho, 18h30-20h00

Se nenhuma destas lhe serve, ou se a edição que escolher já não tiver vagas, é só combinar aulas individuais!

Mas o ABC é só o início! É como aqueles primeiros exercícios no carro ao tirar a Carta de Condução, aprender a função de cada pedal, a sequência para arrancar, etc. Depois há que aprender a usar e controlar a bicicleta, essencial para evitarmos quedas, cansaço desnecessário, e sustos.

OK, o domínio do veículo já está tratado. Andamos mais à vontade, tiramos mais prazer e conforto da bicicleta, e estamos mais seguros a usá-la, mas será que basta?

Toda a gente tem ideias pré-concebidas sobre o estatuto da bicicleta no nosso Código da Estrada, sobre que deveres e direitos assistem aos seus condutores, e sobre o risco associado ao uso da bicicleta. Muitas vezes o simples desconhecimento é a regra, e os mitos são comuns, o que potencia comportamentos menos cívicos, e comportamentos mais perigosos. Para não ser apanhado nessas ratoeiras, nada como participar nesta sessão:

Depois de familiarizados com a teoria, há-que pô-la em prática. Para isso pegamos na bicicleta e vamos para o terreno, discutir e aplicar os conceitos abordados:

Mas não há que parar por aqui! Para reduzir as idas à oficina ou os melganços aos amigos, nada como aprendermos a desenrascarmo-nos com as coisas mais básicas, e comuns:

Finalmente, e porque a consequência natural de andar cada vez mais de bicicleta é, justamente, querer andar mais vezes e mais longe, prepare-se para experimentar umas férias (ou uns fins-de-semana) em bicicleta:

Porque o nosso objectivo sempre foi e sempre será: tornar o uso da bicicleta mais viável, mais seguro, melhor, para termos cada vez mais pessoas de bicicleta, mais vezes, e mais seguras.

Montar tubagem para passagem de corrente

Para proteger a corrente otimizando a sua posição e poupar a roupa(!), o Bruno pediu-me para arranjar uma solução para a montagem de tubagem na sua reclinada artesanal.

A solução que implementei passou por furar o tubo principal do quadro, perto da caixa de direção e instalar uma porca rebitável:

Esta porca tem uma rosca M6 normal e fica fixa ao tubo (tal como um rebite), da mesma forma que os apoios para os suportes das garrafas, ou que os apoios frontais para suportes de alforges frontais (low riders) em alguns garfos (ambos M5).

Para aplicar esta porca, usa-se um alicate idêntico aos usados para os rebites normais, mas com uma terminação diferente:

Para segurar a tubagem usei uma abraçadeira dupla fixa no novo ponto de suporte:

Esta abraçadeira vai segurar a porção de tubagem que vem da roldana intermédia (de força), e que volta para o desviador traseiro (de retorno):

Além desta aplicação de suporte, é possível desta forma recuperar/reparar as porcas de apoio dos suportes de água ou outros do mesmo tipo.

Esta bicicleta já participou numa prova Audace da FPCUB em 2012 (está lá ao fundo!):

Outras aventuras a esperam! :)