Uma carrinha a menos (e a “nossa” SEM 2013)

Na Semana Europeia da Mobilidade deste ano houve três eventos mais relevantes em que participámos: estivemos na 4ª Conferência da Mobilidade Urbana, no dia 17 de Setembro em Lisboa, no Festival da Mobilidade de Almada nos dias 21 e 22 e no Marginal Sem Carros, no dia 22 em Oeiras.

Fui gentilmente convidada pela organização da 4ª Conferência da Mobilidade Urbana a apresentar a Cenas a Pedal no seu painel “Novos Projectos de Mobilidade em Duas Rodas“, o que não deixa de ser engraçado porque já não somos um “novo projecto”, assinalámos uns dias antes da conferência o nosso 7º aniversário, e porque somos até bastante pela mobilidade em três (ou mais) rodas. ;-P

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Podem consultar quase todas as apresentações aqui, e em particular a nossa aqui. Gostei muito de assistir à apresentação da Ana Alves de Sousa e à do Luís Escudeiro. Infelizmente a melhor apresentação de todas, do Hermann Knoflacher não está disponível.

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Fiquei siderada com esta apresentação, a analogia do automóvel como um vírus que se aloja nas pessoas e nas cidades, e eu já sou uma mais que “convertida”, até me deixou desconcertada para a minha própria apresentação, que foi imediatamente a seguir. Pensei “quero ser assim quando for grande“. :-) Infelizmente não encontrei facilmente coisas em inglês, mas com este vídeo já conseguem ter uma ideia da cena:

A conferência trouxe um brinde ao MUDE, um parque de estacionamento para bicicletas. Infelizmente, embora cheio de boa vontade, sem dúvida, foi mal escolhido, mal localizado e mal instalado (!). :-/ Na altura enviei-lhes um e-mail a alertar parar isso e a solicitar a correcção do que fosse possível, mas não obtive resposta nem voltei a passar lá por isso não sei se continua igual.

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Vêem, a Cenas a Pedal oferece consultoria justamente para evitar cenas destas. ;-)

Uma tenda, dois suportes de bicicleta, ferramentas, artigos de exposição, posters A0, três bicicletas de exposição, dois mecânicos e uma “hospedeira” para um evento na outra margem, o Festival da Mobilidade de Almada. “‘Bora lá alugar uma carrinha, metermo-nos na ponte 25 de Abril, dar umas voltas, matar a cabeça à procura de estacionamento, ficar nas filas?Nem pensar! Cada um pedala uma bicla, levam-se biclas de carga e atrelados. Vai-se de ferry. E já está!

Sábado 21 de Setembro, foi dia de serviço de apoio de oficina e assistência do Bicycle Repair Man ao passeio “Duas Margens, Duas Rodas“, na margem Sul.

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Os nossos dois novos “ciclo-marinheiros” estavam ocupados no seu curso de formação profissional e então fizémos outsourcing, e desta vez contámos com a colaboração do Sr. Velocorvo. Conhecemos o Pedro num evento que ajudámos a organizar em 2009 e depois também das nossas antigas andanças como voluntários da Cicloficina, e dado que o que fomos fazer a este festival era um bocado nessa onda, até foi uma coincidência curiosa. :-)

A nossa mini-banca, baseada na e-longtail do Bruno com a bancada dobrável que ele construiu aqui há uns anos atrás:

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Estaminé montado!

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Havia por lá umas cenas “malucas” a circular! ;-)

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E outras apenas em exposição. Para fazer pensar:

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Passou por lá o Hernâni, companhia de aventuras de outros tempos também, e um grande fã dos triciclos reclinados, que levou o seu KMX Cobra (embora emprestado a um amigo!):

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E o dia foi passado a arranjar, manter e afinar biclas e, muitas vezes, mostrando e ensinando aos respectivos donos como isso é feito.

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No regresso tivémos ainda a companhia da Laura, e nova agradável viagem no ferry de volta para Lisboa:

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Depois foi pedalar de volta à Av. Álvares Cabral, desde o Cais do Sodré. O Pedro conduziu a LHT do Bruno mais o CarryFreedom atrás com as ferramentas da oficina e mais umas coisas e era o único dos três com uma bicicleta sem assistência eléctrica para subir a Infante Santo carregado…

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Mas pensámos que ele não se importaria (receávamos que usar uma eléctrica poderia ir contra os seus princípios velocipédicos, até :-P ) e acharia aquilo “levezinho” dado que nos lembrávamos dele com a sua bicla do exército suiço (que era pesada comó raio!). :-P

Swiss Army bike (from ages ago)

O Pedro na sua bicla-tanque do exército suiço, numa das primeiras Alleycat races de Lisboa, em Junho de 2009.

Domingo 22 de Setembro, foi dia de serviço de apoio de oficina no Festival da Mobilidade em Almada e, durante a manhã, divulgação no Marginal Sem Carros, em Oeiras. Éramos 4 e dividimo-nos. De manhã eu fui pregar para a Marginal.

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Mas estava tanto calor que a minha vontade era ir pregar como este (estes dias sem carros na Marginal devem ser os únicos em que a experiência de estar na praia em Caxias é como deveria ser…):

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Não fotografei nada de especial, mas vi vários tandems!

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E voltei a ver este ciclista, que me despertou a atenção por ter nanismo.

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No outro dia estive a ler sobre uma pessoa, na Alemanha, que adapta as Patria Skippy para pessoas com nanismo. Na CaP sempre tivémos um interesse especial pelas questões da mobilidade e acessibilidade, nomeadamente no que concerne a pessoas com necessidades especiais. Infelizmente não temos oportunidade de pôr esse interesse e conhecimentos ao serviço dessas mesmas pessoas muito regularmente, mas esperamos conseguir mudar isso mais lá para a frente. :-)

Também vi uma colisão entre ciclistas, pessoas são pessoas, a há gente a conduzir de forma perigosa seja em que veículo for. Ao menos se forem de bicicleta em vez de carro causam menos danos…

Depois do Marginal Sem Carros fui ter com o resto da equipa a Almada. A questão era “e agora, será que vai dar para levar a bicla + atrelado no barco, ou será que me vão dizer alguma coisa?”… Na verdade correu tudo lindamente.

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E ainda encontrei gente conhecida, neste caso um cliente, o Tiago e a sua q10 City, ali em pleno uso dos novos espaços e suportes para bicicletas nos cacilheiros (viva o ciclo-activismo! :-)

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Cheguei ao Festival e os três mecânicos de serviço não paravam nem para almoçar! Tanto que os fregueses lhes traziam bebidas e até gelados para os compensar. :-)

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E depois, ao final do dia, rewind, repeat.

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E vocês, que outra coisas giras e “meio malucas” (aos olhos das massas locais) fazem que simplesmente mostrem aos outros o que é possível (e até tão fácil) fazer de bicicleta? :-)

Autocarro a pedais (bikepooling?)

O que é que é melhor que um pedicab (também conhecido por “triciclo-táxi)? Ora, um autocarro a pedais, claro!

Nada de agir como um passageiro passivo, toda a gente pedala! :-)

Dá para levar entre 5 a 8 passageiros + o condutor.

 

Digamos que isto é o equivalente ao carpooling, na versão “a pedal”. Bikepooling! ;-)

Faz todo o sentido em grandes eventos como festivais, convenções (este das fotos foi especialmente desenhado para uma convenção nos EUA, por exemplo), etc (e nós podemos ajudar).

O ABC é só o início (e podia ser tão pior…)

As pessoas acham sempre que “aprender a andar de bicicleta” é algo assim:

Um esforço impossível condenado à partida (e normalmente com várias e aparatosas quedas pelo meio, e com mais lágrimas do que risos). Mas não é, pelo menos na nossa escola! :-)

Calendário para Maio e Junho de 2012 dos vários módulos do nosso Curso de Condução de Bicicleta (com instrutores certificados!):

  • 1 – ABC da Bicicleta:
    • 28, 29 Abril, 5 e 6 de Maio, 9h30-11h00 (lotado)
    • 1 a 4 de Maio, 18h30-20h00
    • 15 a 18 de Maio, 18h30-20h00
    • 26, 27 Maio, 2 e 3 Junho, 9h30-11h00
    • 12 a 15 Junho, 18h30-20h00
    • 23, 24 e 30 Junho e 1 Julho, 9h30-11h00
    • 26 a 29 Junho, 18h30-20h00

Se nenhuma destas lhe serve, ou se a edição que escolher já não tiver vagas, é só combinar aulas individuais!

Mas o ABC é só o início! É como aqueles primeiros exercícios no carro ao tirar a Carta de Condução, aprender a função de cada pedal, a sequência para arrancar, etc. Depois há que aprender a usar e controlar a bicicleta, essencial para evitarmos quedas, cansaço desnecessário, e sustos.

OK, o domínio do veículo já está tratado. Andamos mais à vontade, tiramos mais prazer e conforto da bicicleta, e estamos mais seguros a usá-la, mas será que basta?

Toda a gente tem ideias pré-concebidas sobre o estatuto da bicicleta no nosso Código da Estrada, sobre que deveres e direitos assistem aos seus condutores, e sobre o risco associado ao uso da bicicleta. Muitas vezes o simples desconhecimento é a regra, e os mitos são comuns, o que potencia comportamentos menos cívicos, e comportamentos mais perigosos. Para não ser apanhado nessas ratoeiras, nada como participar nesta sessão:

Depois de familiarizados com a teoria, há-que pô-la em prática. Para isso pegamos na bicicleta e vamos para o terreno, discutir e aplicar os conceitos abordados:

Mas não há que parar por aqui! Para reduzir as idas à oficina ou os melganços aos amigos, nada como aprendermos a desenrascarmo-nos com as coisas mais básicas, e comuns:

Finalmente, e porque a consequência natural de andar cada vez mais de bicicleta é, justamente, querer andar mais vezes e mais longe, prepare-se para experimentar umas férias (ou uns fins-de-semana) em bicicleta:

Porque o nosso objectivo sempre foi e sempre será: tornar o uso da bicicleta mais viável, mais seguro, melhor, para termos cada vez mais pessoas de bicicleta, mais vezes, e mais seguras.

Montar tubagem para passagem de corrente

Para proteger a corrente otimizando a sua posição e poupar a roupa(!), o Bruno pediu-me para arranjar uma solução para a montagem de tubagem na sua reclinada artesanal.

A solução que implementei passou por furar o tubo principal do quadro, perto da caixa de direção e instalar uma porca rebitável:

Esta porca tem uma rosca M6 normal e fica fixa ao tubo (tal como um rebite), da mesma forma que os apoios para os suportes das garrafas, ou que os apoios frontais para suportes de alforges frontais (low riders) em alguns garfos (ambos M5).

Para aplicar esta porca, usa-se um alicate idêntico aos usados para os rebites normais, mas com uma terminação diferente:

Para segurar a tubagem usei uma abraçadeira dupla fixa no novo ponto de suporte:

Esta abraçadeira vai segurar a porção de tubagem que vem da roldana intermédia (de força), e que volta para o desviador traseiro (de retorno):

Além desta aplicação de suporte, é possível desta forma recuperar/reparar as porcas de apoio dos suportes de água ou outros do mesmo tipo.

Esta bicicleta já participou numa prova Audace da FPCUB em 2012 (está lá ao fundo!):

Outras aventuras a esperam! :)

Pedicabs, a.k.a riquexós

A Cenas a Pedal podia ter começado por aqui:


Foto: Trixi

After a pedicab rideQuando voltei à bicicleta em 2005, após um interregno forçado de 7 anos, das muitas coisas giras que descobri online ao longo de mais de um ano de ávidas e intensas deambulações e pesquisas, os pedicabs foram uma de entre várias ideias por que me apaixonei, e de cujo sonho vou acalentando. Quando, na sequência desse período de “imersão velocipédica”, resolvi criar com o Bruno a Cenas a Pedal, nos idos de 2006, esta foi das primeiras e principais ideias que acarinhámos. Em 2008, na visita à Spezi, na Alemanha, tivémos até o privilégio de conduzir um, quando apanhámos um pedicabbie muito simpático que nos levou até à estação de comboios. :-)

Pedicab é o termo inglês para designar um triciclo-a-pedal-táxi, também conhecido por riquexó. A propósito, alguém interessado em comprar um, estilo vintage? Há um à venda em Lisboa (e outro aqui).

Um “riquexó” é um «veículo de duas rodas para uma ou duas pessoas, puxado por uma pessoa a pé ou de bicicleta, frequente em cidades do Oriente», usando a definição da Priberam. O riquexó surgiu inicialmente como sendo, basicamente, uma carroça puxada por uma pessoa, há cerca de 150 anos.

Nos tempos mais recentes esta palavra evoluiu para incluir também versões modernas, e mais humanas, os triciclos riquexó, como os da primeira e segunda fotos, e os riquexós motorizados (tuc tucs e afins), que foram substituíndo (embora não completamente) os originais.

Na Ásia, onde surgiram e foram massificados, os pedicabs estão a desaparecer à medida que a sociedade se motoriza mais e mais (um reflexo da melhoria das condições económicas da população), e vão restando apenas como atracção turística:

Em contrapartida, no Ocidente, vão aparecendo mais e mais, também muito ligado ao turismo, mas não só, e utilizando veículos modernos, mais eficientes e menos duros para os condutores.

Há diversas marcas de pedicabs modernos, de posição de condução convencional ou reclinada, 3 ou 4 rodas, mais ou menos cobertos/fechados, com e sem assistência eléctrica, e com o condutor à frente ou atrás dos passageiros, sendo que os preços variam entre os 4.500 € e os 10.000 €, mais ou menos. Os modelos de negócio também variam, mas geralmente os condutores são trabalhadores por conta própria, que alugam os triciclos e obtêm depois o seu rendimento dos serviços de transporte (turísticos ou utilitários) que conseguem arranjar. Os proprietários dos triciclos vivem depois da publicidade nos veículos. E, claro, também há outros casos em que os condutores são funcionários da empresa. Os pedicabs são concorrência essencialmente para as charretes, onde estas existam (ex.: Sintra) e para os táxis automóveis normais.

Pedicab Vs Taxicab

Em 2006/2007 investigámos muito a ideia de trazer os pedicabs para terras lusas, marcas, modelos de negócio, legislação, etc, estabelecemos contacto com fabricantes, perguntámos por licenças e autorizações necessárias a Câmaras Municipais, IAPMEI, IMTT, etc. Desenvolvemos planos de negócio e até concorremos a programas de financiamento / apoio ao empreendedorismo. Infelizmente não tivémos sorte nessa frente, e o investimento inicial saía fora do nosso alcance (dois putos de 25 anos recém-saídos da faculdade, sem dinheiro nem crédito). Mas esse não era o único obstáculo, pois no processo descobri que o nosso Código da Estrada proíbe activamente o transporte de passageiros (adultos) em velocípedes. E sim, os pedicabs são classificados como velocípedes, pelo que não se tratava de uma questão de homologação nem, aparentemente, de licenças especiais locais. A resultar seria um pouco como os comboios turísticos, primeiro aparecem, depois regulamentam-se, o que são muitos “ses” para investir tanto dinheiro…

Não seríamos os primeiros tipos a usar pedicabs em Portugal, claro, nas minhas pesquisas enontrei referências a outras empresas, mas coisas pré-web 2.0, digamos assim. Haveria para aí pedicabs mas essencialmente usados em eventos e coisas do género. Com tudo isto, o sonho de nos tornarmos pedicabbies foi posto em stand-by. Mas outros tiveram a mesma ideia, e atiraram-se, apesar da legislação vigente. Houve uma falsa partida em 2007 com a Missão Zero, em Cascais, mas há hoje em Portugal, e desde 2007/2008, pelo menos duas empresas de pedicabs em operação, ambas usam a mesma marca de triciclos, embora não integrem a rede mundial de franchising da mesma.


Foto: Trixi

Os Funny Cruiser em Albufeira, e os CityCruisers em Setúbal. Esta última começou por funcionar em Lisboa, mas rapidamente se viu de mãos atadas pela legislação e falta de apoio das entidades públicas, e mudou-se para paragens mais progressistas, onde não se importam, e bem, de esticar os limites de uma lei desajustada da realidade…

Porque é que os pedicabs não proliferam e vingam em Portugal?

Esta questão é o exemplo acabado de como a falta de visão política e pró-actividade dos nossos políticos inviabiliza a inovação, e o desvio para a sustentabilidade nascido nas bases (vs. o que vem de cima, quando vem alguma coisa).

Há uma série de actividades com o potencial de criar emprego, de aliviar os congestionamentos, a poluição, o ruído, nas cidades, de contribuir para dinamizar a vida urbana e enriquecer o turismo, de promover social e culturalmente o estatuto da bicicleta como veículo utilitário, e de lhe dar visibilidade, que as rédeas-soltas dadas ao automóvel, a conivência das autoridades com o desrespeito pelas leis (estacionamento, circulação, velocidade,…) pelos seus condutores, e o subsidiamento público que é feito a estes, em detrimento de todos os outros modos (transportes públicos, peões, ciclistas), matam à nascença, porque o automóvel é sempre mais competitivo globalmente (vai a todo o lado, mesmo onde não pode, e estaciona em todo o lado, mesmo onde não pode, sempre impunemente). Os pedicabs são uma dessas actividades (a par da micro-logística em bicicleta, e até da publicidade móvel em bicicleta, etc).

Temos um Código da Estrada obsoleto, desajustado da realidade técnica, científica e social actual, e negativamente discriminatório dos condutores de velocípedes relativamente aos condutores de veículos motorizados.

  • o CE proíbe o transporte de passageiros adultos em velocípedes (mesmo que seja um desenhado e preparado para tal)
  • o CE obriga ao uso de capacete pelos condutores de velocípedes a motor (a obrigatoriedade geral do uso de capacete é totalmente descabida, mas ainda mais num veículo de 3 rodas e com cabina…)
  • o CE proíbe os triciclos e quadriciclos a pedal (velocípedes e velocípedes com motor) de circular nas ciclovias quando estas existam (há uma série de utilizadores de bicicleta que ficam excluídos de usufruir legalmente de muitas vias turísticas e recreativas)
  • as ciclovias que se vêm em Portugal são subdimensionadas em largura para bicicletas normais, quanto mais para triciclos e afins (principalmente tendo em conta a lei anterior)
  • as ciclovias em Portugal incluem demasiadas vezes degraus, curvas cegas e/ou demasiado apertadas, etc
  • o piso degradado (buracos, lombas, etc), misturado com carris e empedrado, um cenário demasiado comum em Lisboa, por exemplo, torna a cidade pouco tolerável para quem não se desloca num automóvel…

Ecomobile - Ciclovia Belém ecomobile elevador gloria Ecomobile - Rua de Barros Queirós

Esta situação ilustra o tipo de coisas que têm que ser alteradas no nosso Código da Estrada, e cujos esforços nesse sentido devemos apoiar.

Ao contrário do que a CML e o IMTT parecem ter avançado, a lei é bastante clara quanto aos pedicabs: são proibidos. A excepção é o transporte de crianças, desde que usem capacete (outro disparate, dado o veículo em causa), uma vez que se pode considerar o pedicab um “dispositivo especialmente adaptado para o trasporte de crianças”.

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O Trikidoo é uma versão light de um pedicab para levar miúdos.

De qualquer modo, aparentemente não terá sido este obstáculo legal a ditar o desaparecimento dos CityCruisers de Lisboa, mas sim a falta de licença concedida pela Câmara para estes veículos acederem e circularem por zonas pedonais (é o que depreendo da notícia, não haveria razão para terem que estacionar os triciclos em cima de passeios, podem muito bem ser parqueados na estrada). Se assim for, realmente, a história repetir-se-á para este projecto mais recente.

Sofremos, assim, duplamente, pela falta de zonas pedonais, livres de automóveis (em número, extensão e conectividade), e pela falta de tolerância para com estes transportes públicos, os pedicabs, a título de excepção, nas poucas que existem (e com maus acessos, muitas vezes). Comparem com Barcelona:

Este é apenas um exemplo de para que deveria servir uma alteração ao CE e o Plano Nacional de Promoção da Bicicleta e Outros Modos Suaves