Ciclovias e bombeiros de bicicleta no telejornal

Aos 18min12s da 2ª parte do Primeiro Jornal de 20-08-2011, na SIC, aparece uma peça sobre a inauguração de um novo troço de ciclovia que liga a praia do Osso da Baleia, em Pombal, à Nazaré, feito juntamente com um novo troço da Estrada Atlântica. Esta estrada é acompanhada por uma ciclovia e liga o litoral de quatros concelhos do distrito de Leiria, entre a praia do Osso da Baleia (Pombal) e o Sítio da Nazaré, passando pela praia do Pedrógão (Leiria), Vieira de Leiria e São Pedro de Moel (Marinha Grande). É possível agora percorrer 70 Km nesta ciclovia, ora pela mata ora à beira-mar.

Àparte os ciclistas de clube com capacetes mal ajustados, a propaganda do medo, e os defeitos do costume na ciclovia a nível de segurança e usabilidade, é uma boa notícia e uma obra útil. :-) Aproveitar os fundos europeus tem sido o grande motor da construção de ciclovias, só era bom que se preocupassem em fazê-las melhorzinhas, já que estão nisso mas pronto. Mas estas, como são fora da malha urbana, não é tão grave.

Logo a seguir no telejornal passaram também uma notícia sobre mais bombeiros a fazer rondas de bicicleta, desta vez em Sintra (numa bicicleta hardtail mesmo fixe para aquele empedrado e tal… :-S ).

Via rápida pedonal

No excelente blog Bicicletas, ciudades, viajes…

Não sei bem o que pensar disto. Mas parece-me que algo está muito errado aqui.

Claro que num país de ciclões* e de ciclopasseios**, isto faz todo o sentido.

* Peões que circulam de bicicleta nas ciclovias, passeios, passadeiras, estradas, etc, como se fossem a pé, mas apenas mais depressa.
** Canais roubados a, e pintados em, passeios, para legitimar a circulação de bicicletas no passeio, transformando os ciclistas em peões com rodas.

«Mobilidade sustentável na cidade: ciclovias em lisboa»

Apresentação e podcast da intervenção do Arq.º Paisagista João Castro na Conferência “A Mobilidade Sustentável na Cidade” (Lisboa E-Nova, 03/02/2010), com o tema “Ciclovias em Lisboa”. Dada a escassez geral de informação disponibilizada pela CML aos cidadãos acerca destes projectos, é sempre bom ter acesso a estes pequenos bits de info. Não percam ainda o podcast (parte 1 e parte 2) do Diálogo moderado, muito elucidativo…

Arquitectura vs. engenharia

Aqui há tempos comecei a aperceber-me que, em Portugal, as chamadas ciclovias são frequentemente projectadas por arquitectos paisagistas, quando as rodovias normais são projectadas por engenheiros civis com especialização em vias de comunicação rodoviárias. Now, that got to mean something, right?… Quais as causas desta dualidade, e quais as consequências? Não deveriam todas as vias de comunicação ser projectadas por equipas de engenheiros e arquitectos paisagistas? Para que todas as vias (rodovias, ciclovias, ferrovias, redes pedonais, whatever) fossem eficientes, o mais seguras possível, bem enquadradas na paisagem e minimamente agradáveis de percorrer? Ou será apenas um erro de análise muito superficial da minha parte, e na verdade já é isto que acontece?…

Quem gera o quê?

Diz-se que as ciclovias geram ciclistas. Há quem vá mais além e diga que as ciclovias geram grande aumento de ciclistas (outros defendem que há outros factores que podem surtir o mesmo efeito), ou que as ciclovias geram grande aumento de ciclistas em pouco tempo. Mas também há quem suspeite que os ciclistas é que geram as ciclovias…

Hoje encontrei um exemplo desses num blog que sigo:

O uso da bicicleta em São Francisco aumentou 53% desde 2006 sem nenhumas mudanças nas nossas infraestruturas para bicicletas. Apesar das batalhas legais [tem estado em vigor nos últimos 3 anos uma injunção que proíbe quaisquer infraestruturas para bicicletas de serem construídas] e do aumento do tráfego automóvel na cidade, o número de pessoas que tem escolhido andar de bicicleta em SF aumenta todos os dias. Nós vingaremos. Nós ganharemos o nosso lugar de direito na rua. Já está a acontecer!

O que é curioso é que se trata de um paradoxo. O número de ciclistas tem aumentado significativamente sem vias especiais (outros factores estarão em jogo), usando as vias normais a que têm direito como operadores de veículos (embora alguns usando os passeios, concerteza), ocupando – literalmente – o seu lugar de direito na rua. E este aumento e este usufruir de direitos é depois usado para reivindicar corredores para bicicletas como sendo estes o lugar de direito dos ciclistas… Um lugar mais pequeno, mais complexo e potencialmente mais perigoso… O que aconteceria se o número de ciclistas continuasse a aumentar e não houvesse vias especiais para eles? Que consequências isso traria para a distribuição modal, para a segurança rodoviária geral, etc?