A Massa Crítica é já amanhã!

Última 6ª-feira do mês, dia 26, há mais uma Bicicletada pela cidade. 🙂  Já anunciaram a vossa presença?

Massa Crítica de Lisboa de Outubro 2010

O que é a Massa Crítica?

É um passeio de bicicleta mensal para celebrar o uso da bicicleta e para afirmar o direito dos ciclistas à estrada. A ideia começou em S. Francisco em 1992 e rapidamente se espalhou por outras cidades pelo mundo inteiro.

A Massa Crítica tem um ‘sabor‘ diferente de cidade para cidade – há muita variedade no tamanho, observação das regras de trânsito (ou falta dela), interacção com os motoristas, e intervenção da polícia. Até mesmo dentro da mesma cidade, as coisas variam um pouco de mês para mês, antes de mais porque a MC é feita por quem nela participa, e é um evento aberto.

A Massa Crítica não tem líderes, ‘responsáveis’, e não há nenhuma organização central a autorizar os passeios. Em cada cidade, alguns ciclistas locais simplesmente escolheram uma data, hora e local para o passeio e divulgaram-nos, e assim nasceu a MC.

A MC é uma ideia e um evento, não uma organização ou associação. Não é possível entrar em contacto com a “Massa Crítica”.

A MC não é um evento desportivo, nem uma manifestação, é um percurso de bicicleta pela cidade e não requer nenhuma autorização especial, tal como não é requerida para voltas similares de carro, a caminho de casa, de um casamento, ou depois de um jogo de futebol. A MC não embaraça o trânsito, a MC é trânsito. O embaraço do trânsito nas cidades é causado essencialmente por demasiada gente a deslocar-se de carro, não de bicicleta.

A intenção é a MC ser uma celebração e não uma oportunidade para causar sarilhos. Quem quiser empatar o trânsito tanto quanto possível e ser confrontacional com os motoristas não está a perceber a ideia. Podemos afirmar o nosso direito à estrada sem sermos grosseiros acerca disso. Concentre-se no passeio, não nos carros que, por acaso, também estão na estrada.

A Massa Crítica ocorre na última 6ª-feira de cada mês em várias cidades em todo o mundo, com início às 18h em várias cidades portuguesas. Acaba geralmente com conversa e às vezes com um copo ou um jantar em local definido pelos presentes a cada MC. O percurso é também definido pelos participantes, não há programas fixos nem pré-definidos.

Por um lado, visa proporcionar uma oportunidade de encontro e convívio entre as pessoas que o fazem, e até destas com as que o querem fazer. É importante para nos sentirmos menos sós nesta opção de mobilidade minoritária, e nos identificarmos com um grupo, legitimando e reforçando assim a nossa opção. É uma boa oportunidade de conhecer pessoas e de trocar ideias e experiências relativamente à escolha de bicicletas e acessórios, rotas preferidas, truques e dicas, etc.

Por outro lado, visa demonstrar aos outros, nomeadamente aos automobilistas, com quem partilhamos as vias rodoviárias onde circulamos, que a bicicleta como opção de transporte é legítima, adoptada por cada vez mais pessoas, e vantajosa para quem a usa e para todos os outros. Nesta óptica, a MC serve para angariarmos mais respeito e mais ciclistas. 😉

Para quem é a Massa Crítica?

Para gente de todas as idades, para famílias, para ciclistas veteranos, principiantes e prospectivos, ocasionais ou quotidianos, para gente que também conduz automóveis e gente carfree. Para patinadores, skaters e modos suaves afins.

O que fazer:

  • Aparecer, para conviver e dar massa à Massa!
  • Divulgar e convidar gente via e-mail, blogs, Facebooks e afins.
  • Levar amigos, para partilhar com eles a experiência de andar de bicicleta pela cidade integrado num grupo grande, e para ter companhia a voltar para casa.
  • Levar luzes, essenciais para andar à noite (principalmente depois da MC)!
  • Levar um cadeado e equipamento para a chuva e para o frio, para caso se revelem necessários.
  • Dar uso à campainha, e às palavras de ordem, a MC é festa! Um muito popular: “não sejas pateta, anda de bicicleta!
  • Ceder passagem aos peões nas passadeiras e semáforos – os peões somos nós mal pomos o pé no chão, e o andar a pé é a opção mais sustentável de mobilidade.
  • Evitar andar mais que 2 pessoas a par (nomeadamente nas vias mais estreitas), para manter espaço entre elas e entre elas e os veículos que lhes passam ao lado na via da esquerda (automóveis e afins) e na via da direita, BUS, (autocarros e táxis), e permitir a ultrapassagem por outros ciclistas.
  • Ser assertivo mas cortês: a MC é uma celebração e expressão do uso da bicicleta, queremos ser respeitados e para isso temos que saber respeitar os outros.
  • Ao longo do percurso, nos momentos de paragem, divulgar a MC pelos automobilistas parados no normal congestionamento da hora de ponta, e explicar o que é “aquilo” (tanta gente de bicicleta) e quando acontece e porquê.
  • Vir preparado para aceitar propostas de tomar um copo ou jantar após a MC. 🙂
  • Tirar fotos e pô-las depois no site, nos blogs pessoais, Facebook (grupo PT, grupo Lx, etc), grupo da MC no Flickr, etc.

O que NÃO fazer:

  • Ocupar os corredores BUS, é ilegal, e o transporte público colectivo é nosso amigo e não o devemos prejudicar.
  • Ocupar todas as vias de trânsito, quando há 3 ou mais, não há necessidade.
  • Deixar criar ‘buracos’ na Massa (andar demasiado depressa ou demasiado devagar face ao resto do grupo) – isso enfraquece o grupo no fluxo geral do trânsito, dificulta a posição dos corkers* e tira impacto e fluidez à Massa Crítica.
  • Filtrar as filas de automóveis – faz justamente o que queremos evitar a todo o custo, carros a quebrarem o grupo (e neste caso por nossa culpa!). Há que esperar, como ‘massa’, na fila, para manter a coesão do grupo.
  • Hostilizar os automobilistas com palavras de ordem anti-carro (não há que ser anti-carro, apenas anti-abuso-do-carro). Pró-bicicleta surte melhor efeito. 😉
  • Perder a calma e a compostura com as ocasionais vítimas de ‘road rage‘ – para minimizar a sua incidência e impacto é muito importante manter o grupo compacto e fluido, falar com os motoristas à espera para passar, acenar e verbalizar um obrigado quando tomamos um direito de passagem que pertenceria a outros.

*Os corkers são elementos que, nos cruzamentos e entroncamentos, se posicionam nas vias que cruzam aquela em que a Massa está a circular, de modo a prolongar o dever de cedência de passagem dos veículos que se preparam para entrar, para permitir a passagem da Massa toda, impedindo a sua fragmentação.

Esta é a única acção ilegal na MC, por isso é importante que os corkers actuem em grupos de 2 ou 3, e que comuniquem com os condutores que ficam à espera quando a sinalização lhes daria prioridade na passagem – isto serve 2 propósitos fundamentais: reduz a frustração e protestos dos condutores (sentem que não é justo estarmos a usar a vez deles de passar, não é só a questão de ser legal ou não) porque lhes é explicado o que é, para que serve, quanto tempo demora e o impacto negligenciável que terá na duração da sua viagem (não esquecer que a MC decorre à hora de ponta…), acompanhado de um “obrigado“, e ao mesmo tempo divulga o evento, o uso da bicicleta, e sensibiliza-o para o próximo encontro com a MC ou com ciclistas.

Evitar a fragmentação do grupo é importante para garantir o máximo de protecção de cada elemento no grupo, a fluidez geral do trânsito, paragens para re-agrupamento, hesitações na rota, etc. O efeito do corking na fluidez do trânsito automóvel e no tempo de viagem das pessoas que ficam mais 1 ciclo paradas nos semáforos, é negligenciável, porque ocorre à hora de ponta, em que o maior obstáculo à velocidade automóvel são a quantidade inacreditável de outros automóveis presentes em todas as ruas e avenidas da cidade…

Apareçam e mantenham-se em contacto com outros ciclistas nas listas de e-mail. Para anúncios e relatos relacionados com as MC, mas não só:

Para tudo:

<a href=”http://www.flickr.com/photos/anabananasplit/5132420662/” title=”Massa Crítica de Lisboa de Outubro 2010 by anabananasplit, on Flickr”><img src=”http://farm5.static.flickr.com/4006/5132420662_61b2fc50ae.jpg” width=”500″ height=”375″ alt=”Massa Crítica de Lisboa de Outubro 2010″ /></a>

Segmento de economia

A marca espanhola BH vai fechar uma unidade de produção em Vitoria, Espanha, e deslocalizá-la para Portugal e para a Ásia, países mais ‘low-cost‘ em termos de produção.

Não sei que pensar disto.

Presumo que seja melhor que venha alguma coisa para Portugal do que ir tudo para a Ásia, principalmente quando a indústria portuguesa teve um mau ano em 2009, e o país está a passar por uma depressão económica (e não só…). Contudo, já se sabe que só os gigantes aguentam modelos de negócio baseados n’”o mais barato”. E fazer mais barato do que o vizinho é sempre muito mais fácil do que fazer melhor, pelo que ser esse o factor de atracção da indústria portuguesa de bicicletas é, no mínimo, preocupante.

Não percebo o porquê de as marcas nacionais, com toda a sua história, não apostarem no próprio mercado nacional com produtos de qualidade – nomeadamente para transporte, e não inovarem em novos mercados emergentes (bicicletas e triciclos reclinados, por exemplo), nem que seja pelo ‘news value‘, for christ sake

Quando digo “apostarem no mercado nacional” significa também trabalhar com os revendedores. Isso implica oferecer-lhes margens brutas que tornem viável trabalhar com os seus produtos (o espaço de exposição e armazenamento de uma loja paga-se – chama-se renda, luz, limpeza, seguros, etc, a assistência ao cliente antes, durante e após a compra também se paga – chama-se ordenados, formação, telefone e internet, renda da loja, etc), e implica efectivamente responderem aos contactos de novos revendedores, em vez de os ignorar e desprezar (aconteceu connosco quando começámos, há 4 anos atrás, com várias marcas e fábricas – e não somos os únicos). (Isto de trabalhar bem parece ser tão raro por cá que quando existe até leva prémios. 🙂 )

E depois, já se sabe que o barato sai caro, às vezes sem nada mudar, basta de repente uma moeda valorizar face à outra e os preços aumentam, como parece estar para acontecer na indústria das bicicletas, a nível mundial.

Freewheelers

Freewheelers é uma série de documentários retrato sobre bicicletas diferentes e ‘in’ e das pessoas que as usam – de fixies “faça-você-mesmo” e cobiçadas bicicleta vintage até bicicletas como arte ou manifestações (ou manifestos) de estilo pessoal. Uma nova série original sobre liberdade, bicicletas e viajar em estilo.

Caz, London cycling blogger and fashionista, tells us about her love affair with a pale blue Pashley Poppy and her crusade against helmet-hair.

Charlie, a London artist and former bike courier, organised a race to the ‘centre of the earth’ in Uganda using Indian-made ‘Hero’ bikes, the most popular bike for local couriers. He bought his Hero home to London in a suitcase; Here he is unpacking it for Babelgum.

Beneath their prickly exterior London’s bike couriers are warm and cuddly idealists. Or at least, one of them is. We meet courier Crazy Socks and his gritty Surly Steamroller.

London-based artist and designer Benedict Radcliffe shows us his beautiful flourescent bikes – there’s no chance of car drivers not seeing you when you’re atop one of these beauties. Find out more at www.benedictradcliffe.co.uk.

Sharp-suited dandy Neil is a drinks writer for The Chap, a magazine aimed at the modern gentlemen. Neil takes us on a tour of his vintage penny farthing, the vehicle of choice for the 19th-century playboy. It’s still turning heads (and setting hearts aflutter) in modern-day London.

Photography student ‘Chicago Greg’ brings cool rides to life at Soho’s hippest cycling store, Tokyo Fixed Gear, in London. He combines a laid-back style with fast-moving eye candy – check out his self-build.

Ao contrário de uma teoria famosa, as bicicletas não são aspiradores. E esperemos que nunca sejam.

A escolha pela bicicleta em detrimento de outras opções de mobilidade é uma afirmação. De estilo, de filosofia, de liberdade (ou mesmo de falta dela). Mais ainda num contexto em que esta opção é social, física e culturalmente desfavorecida. E a escolha da bicicleta em si é uma forma de expressão, um reflexo dos nossos gostos, um elemento do nosso estilo estético e funcional pessoal. Não, a bicicleta não é um aspirador… No mínimo é como o vestuário, o automóvel, a casa, extensões, reflexos, consequências da nossa filosofia de vida, condições económicas, necessidades e preferências estéticas. Ninguém usa o aspirador se não tiver mesmo que o fazer, e o objectivo não é o uso do aspirador mas o resultado do seu uso: limpeza (objectiva ou simplesmente a sensação reconfortante da mesma). A bicicleta usa-se só pelo prazer de a usar, ou só pelo exercício físico que nos proporciona, mesmo quando não temos nenhuma necessidade de transporte a suprir. E não deixa de nos dar prazer e proporcionar exercício quando a usamos só para ir de A a B.

Não tenhamos medo das depreciativamente chamadas ‘sub-culturas’ da bicicleta. Fixies, dobráveis, vintage, de carga, de estrada, reclinadas, familiares, BMX, BTT, etc, etc. Não são sub-culturas, são mais como tribos, onde cada um pode procurar um sentido de identificação e pertença, entretenimento e diversão, criatividade. Sem que isso aliene os das outras tribos ou os que não têm tribo, e sem lesar ninguém. Não há razão nenhuma para deixarmos a bicicleta de fora das coisas que fazem e dão a cor, o sal e a pimenta, à vida. 🙂

Prefiro 100 ciclistas por convicção, paixão, ou simples opção, do que 1000 ciclistas ‘aspiradores’. “Propósito” é muito importante, é a diferença entre interessante e diverso e aborrecido e monótono.

Aspirações do Bicycle Repair Man

O nosso Bicycle Repair Man já foi notado por alguns dos nossos media. No LX Sustentável, com “O homem que repara bicicletas”, no GreenSavers com o “E agora algo completamente diferente: Bicycle Repair Man em Lisboa!”, no Menos Um Carro com o “Lisboa: Bicicletas reparadas na hora”, e até na Transportes em Revista. 🙂

Há umas semanas atrás soubemos de um serviço parecido que usa uma bicicleta estilo bakfiets (caixa de carga à frente), especialmente feita e adaptada para a função, nos EUA, e ficámos a saber qual o passo a seguir à e-Big Dummy. 😀

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Mais fotos aqui.

Claro que este super-sistema não é, de longe, tão adequado a serviço de assistência técnica em viagem, principalmente em Lisboa, quando a e-Big Dummy. Mas o Bicycle Repair Man também presta serviços em eventos e em empresas (para manter frotas próprias de aluguer ou dos funcionários), e para essa escala, este super-stand móvel é mesmo muito fixe. 🙂 Para os serviços de recolha de bicicletas para reparação na nossa oficina, e de “mecânico ao domicílio” (vamos a sua casa tratar da saúde da sua ou suas bicicletas), a e-Big Dummy continua a ser a melhor ferramenta para a função.

Bicycle Repair Man: assistência técnica de bicicletas na rua, na sua casa ou na nossa. 😀 Só em Lisboa!

Claro que não fomos os primeiros tipos no mundo a inspirarmo-nos no sketch dos Monty Python e a criar um serviço de reparações com recolha e entrega de bicicleta, ou com serviço ao domicílio, ou sequer de assistência em viagem. Mas é provável que tenhamos sido os primeiros (bom, pelo menos por terras lusas, que isto o mundo é muito grande) a oferecer esta combinação de serviços e, muito importante, a fazê-lo exclusivamente de bicicleta. 😉 Claro que lançar isto num país com um modal share da bicicleta de menos de 1 % deve ser realmente inédito, eheheh! Mas o sonho comanda a vida, e o que a preenche é a viagem, e não apenas a meta. Afinal, a Cenas a Pedal surgiu justamente para servir bem os “primeiros mil” ciclistas “transportivos”, independentemente de virem a haver mais ou não, com a firme convicção, contudo, de que se os ‘early adopters‘ forem bem tratados, outros se lhes juntarão.