«Mobilidade sustentável na cidade: ciclovias em lisboa»

Apresentação e podcast da intervenção do Arq.º Paisagista João Castro na Conferência “A Mobilidade Sustentável na Cidade” (Lisboa E-Nova, 03/02/2010), com o tema “Ciclovias em Lisboa”. Dada a escassez geral de informação disponibilizada pela CML aos cidadãos acerca destes projectos, é sempre bom ter acesso a estes pequenos bits de info. Não percam ainda o podcast (parte 1 e parte 2) do Diálogo moderado, muito elucidativo…

Arquitectura vs. engenharia

Aqui há tempos comecei a aperceber-me que, em Portugal, as chamadas ciclovias são frequentemente projectadas por arquitectos paisagistas, quando as rodovias normais são projectadas por engenheiros civis com especialização em vias de comunicação rodoviárias. Now, that got to mean something, right?… Quais as causas desta dualidade, e quais as consequências? Não deveriam todas as vias de comunicação ser projectadas por equipas de engenheiros e arquitectos paisagistas? Para que todas as vias (rodovias, ciclovias, ferrovias, redes pedonais, whatever) fossem eficientes, o mais seguras possível, bem enquadradas na paisagem e minimamente agradáveis de percorrer? Ou será apenas um erro de análise muito superficial da minha parte, e na verdade já é isto que acontece?…

Coisas avulso sobre “ciclovias”

Pelo que tenho lido (exemplo aqui), as primeiras ciclovias surgiram como um benefício, um privilégio para os ciclistas, ao oferecer vias pavimentadas, visto que as estradas eram tradicionalmente em empedrado (pouco amigável para as bicicletas hoje em dia, imaginem para as de há 100 anos atrás…), as (boas) estradas eram as ciclovias. Quando a qualidade das estradas em geral melhorou, e à medida que os automóveis foram surgindo, em sítios como Copenhaga, estavam em muito menor número do que as bicicletas, e circulavam “misturados”, à mesma (baixa) velocidade. Vejam, nomeadamente, o primeiro e último terços deste filme sobre a Copenhaga de 1953:

[Via]

A partir daí as ciclovias passaram do centro da estrada para as bermas, e foram tornadas compulsórias. O objectivo era retirar os ciclistas das estradas principais aliviando o trânsito para benefício dos que se faziam transportar em automóveis. Esta continua sendo a mentalidade aproximada predominante na maior parte dos locais onde são defendidas e implementadas ciclovias, mesmo que escondida debaixo da ilusão da segurança dos ciclistas.

Este não é um post elaborado, pretendo semear apenas algumas questões e reunir algumas das coisas que vi mais recentemente.

Vejam este vídeo sobre “um congestionamento” em Copenhaga:

Reparem que a via mais à direita (à esquerda no vídeo) é só para bicicletas, a imediatamente ao lado é BUS, e a outra para o restante tráfego. Reparem ainda que é uma via de largura igual às outras (oferece espaço de segurança face aos veículos que circulem na via ao lado e no passeio, permite espaço para ultrapassagens dentro da via – comparem com o que vêm em Portugal), e já agora, o passeio ali é tão largo quanto uma dessas vias. Reparem que só a via das bicicletas (de onde elas não podem sair, penso, a lei é similar à nossa, parece-me) é que está congestionada, mas os ciclistas não podem simplesmente distribuir-se pela outra via (a outra, não a do BUS), pois essa está, por oposição, reservada aos automóveis.

Outro vídeo sobre infraestruturas, esta nos EUA:

Este vídeo é muito interessante, bastante explicativo:

Não vou comentar o seu conteúdo agora, mas peço que comparem o que vêm com o que vêm em Portugal, a nível de largura de vias para bicicletas, tipo de pavimento, marcações no pavimento, sinalização vertical, pintura do pavimento, etc. Apercebam-se também do tipo de ruas em que as estruturas são implementadas, nomeadamente na larguras das mesmas, muito maiores que em Portugal.

Outros recursos avulsos interessantes a estudar:

Segregated cycle facilities – Wikipedia
Ciclovia – Wikipedia
Toronto Bicycle/Motor-Vehicle Collision Study (2003)
IBPI Bicycle & Pedestrian Tour and Learning Center
America’s top bike minds ask for (and receive) advice from Europe
Transatlantic Active Transportation Workshop
Why “bike-boxes” fail.
Comentários no post Outras cidades no blog Klepsýdra.

Outro recurso a não perder, para quem se interessa por isto, são os vídeos do Mark, sobre a infraestrutura na Holanda. Por exemplo, este, que linka para 8 vídeos:

Precisamos de desenvolver massa crítica (e participativa) na questão das infraestruturas viárias (e não só) para ciclistas (e peões, já agora…), em Portugal. Por isso, toca a estudar, pessoal. 😉

Ecovia do Algarve prolongar-se-á pela Costa Vicentina

Apanhado via Jornal do Algarve:

A ideia é criar um extenso percurso à beira-mar numa das zonas naturais mais bonitas e bem protegidas do país, entre Sines e Burgau.

Uma extensa pista para peões e bicicletas vai nascer junto ao litoral, entre Sines (concelho de Odemira) e Burgau (concelho de Vila do Bispo), atravessando uma das zonas consideradas mais belas de Portugal. A novidade foi adiantada, na semana passada, em Lisboa, pelo coordenador dos Polis Litoral, José Pinto Leite, sublinhando que as ciclovias e ecovias são “fundamentais” no programa do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina. Para além de uma enorme e ampla ecovia à beira-mar, o Polis que reúne Sines, Odemira, Aljezur e Vila do Bispo promete ainda dar uma “lufada de ar fresco” neste território, (…). Segundo apurámos, muitas das próximas grandes transformações do litoral da Costa Vicentina vão decorrer num prazo de cinco anos, sendo o programa gerido por uma sociedade financiada pelas autarquias, Estado, fundos comunitários e outros organismos. (…)

Esperemos que façam bem o trabalho de casa e que tenham as prioridades organizadas como deve ser para fazer algo verdadeiramente revolucionário em Portugal, algo que traga melhor turismo, mais gente e mais riqueza para o litoral alentejano e algarvio.

Debate “Ciclovias e utilização de bicicletas como transporte urbano”

Passamos a divulgar:

A utilização da bicicleta é cada vez mais encarada como uma alternativa de transporte urbano. Silenciosa e amiga do ambiente (e da saúde dos seus utilizadores), a sua utilização nas cidades portuguesas vai crescendo timidamente.

Dia 23 de Setembro, a partir das 21:30, no Clube Literário do Porto (Rua Nova da Alfândega, 22, Porto – à ribeira), a Campo Aberto organiza um debate com os seguintes convidados:

  • Miguel Torres, colaborador do projecto Futuro Sustentável, onde foi proposta uma rede de ciclovias para o Grande Porto;
  • Pedro Serra, do movimento Massa Crítica;
  • João Neves, responsável pelo projecto Civitas, em curso na cidade do Porto.

Utilizadores, simpatizantes e mesmo opositores da utilização da bicicleta em meio urbano, todos ficam convidados a comparecer e a deixar o seu testemunho.

Este debate surge no seguimento de uma conversa que se iniciou online quer no site da Campo Aberto quer no blog “A Baixa do Porto” a propósito da utilização da bicicleta como meio de transporte e dos potenciais conflitos que podem surgir entre peões, ciclistas e automobilistas. O debate insere-se ainda na semana europeia da mobilidade.

Um resultado construtivo desta história, entre outras. Só espero que lá vá alguém defender os direitos dos ciclistas sem ceder à tentação de privilegiar o maior número de ciclistas em detrimento da segurança e da liberdade dos que vão existindo… Torço também para que haja lá representantes dos ciclistas que lembrem que estes tendem a ser mais respeitados quando se dão ao respeito, e que adoptar comportamentos de submissão, reverência, inferioridade e inépcia no trânsito só reforça o tratamento correspondente que recebem…