Categorias
Crianças e Famílias Segurança Web e outros Media

Crianças afogadas: a piscina tem a culpa. Crianças atropeladas: a criança tem a culpa?

Plano de segurança infantil quase pronto
ACIDENTES TIRAM A VIDA A 700 CRIANÇAS POR ANO

Lá está a palavra “acidente” associada a coisas que não são acidentes (como muitos dos “acidentes” rodoviários).

Há dois anos, os acidentes rodoviários e os afogamentos eram as causas de morte infantil mais frequentes em Portugal. Os motivos para os acidentes fatais estavam relacionados com a ausência de cuidados como o uso de capacetes para andar de bicicleta, limites de velocidade, piscinas protegidas e normas específicas para equipamentos em campos de jogos.

A Suécia, a Holanda e o Reino Unido eram os países com menor taxa de mortalidade de crianças em acidentes.

Engraçado (ou não) apontarem o não uso de capacete como sendo um motivo relacionado com a maior taxa de mortalidade infantil em Portugal, quando pelo menos um dos país mencionados como tendo das menores taxas é a Holanda, onde o capacete para ciclistas é um elemento estranho à cultura… Talvez o problema não esteja na vítima mas no que a rodeia, nomeadamente, nos condutores de automóveis, no ambiente rodoviário… Perguntas, muitas perguntas…

Outro twist curioso é o facto de, relativamente aos afogamentos, ninguém sugerir que os miúdos devam andar sempre com um colete salva-vidas, recomendam apenas que as piscinas sejam vedadas – embora os afogamentos na praia, na banheira, etc, não sejam evitáveis desta forma (e nem o colete terá, provavelmente, capacidade de evitar muitos dos afogamentos de crianças, de qualquer modo…). O ónus recai sobre o objecto fonte de perigo (e o seu proprietário). Já relativamente aos acidentes rodoviários, defendem que as crianças devem andar com capacete [e roupa reflectora], aqui o ónus recai sobre a vítima, e não sobre a fonte de perigo: os condutores nos seus automóveis…

Serei apenas eu que veja aqui umas incoerências graves?… 🙁

Por Ana Pereira

Instrutora de condução, formadora em segurança rodoviária, e consultora em mobilidade & transporte em bicicleta. Bicycle Mayor of Lisbon 2019-2020.

3 comentários a “Crianças afogadas: a piscina tem a culpa. Crianças atropeladas: a criança tem a culpa?”

Aqui no Brasil, nós tempos mesmos problemas. As campanhas, por exemplo, são voltadas para o perigo de atravessar ou brincar na rua e nunca centradas na direção segura.
Aqui, exemplos de uma campanha federal
http://www.youtube.com/watch?v=eMvJQOwukBs
http://www.youtube.com/watch?v=fNdlRR9B4cI

No Japão, é o contrário. As placas são de alerta para carros.
http://3219.cc/img_server/co_img1/plusmarks/item/Y031-000102.jpg
http://www.amazon.co.jp/日本緑十字社-イラスト標識-子供飛出し注意-M-36/dp/B001I8LG0Q
http://www.signonline.co.jp/image/goods/detail/HKR-KP329-4.jpg

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.