Aprender a andar de bicicleta no Algarve

Vou ao Algarve em missão familiar e quero juntar o útil ao agradável. Tenho 1 vaga para um ABC da Bicicleta (numa turma de apenas 2 pessoas) a realizar na zona de Silves durante o mês de Março, em datas a acertar.

De Mobiky na Praia da Rocha, em Portimão

Serão 4 (79 €) ou 6 horas (119 €) de formação, divididas em 2 ou 3 sessões (necessário levar bicicleta!). Interessados? Contactem-me com a maior brevidade possível via cursos @ cenasapedal . com.

Uma história de amor, política e empreendedorismo

Fevereiro foi o mês da bicicleta nas ONE TALKS. Estas são palestras / conversas semanais do One Perfect Movement, na Lx Factory. São sobre “transformação”: daqueles que falam da transformação do [seu] mundo. São de entrada livre e costumam ser emitidas online em tempo real, dando para as pessoas participarem via chat. A seguir às apresentações há um espaço de perguntas & respostas.

No dia 2 o Pedro Ventura falou da sua empresa de estafetas em bicicleta, a Camisola Amarela:

No dia 9 o César Marques falou da MUBi – Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta:

O Mário Alves, curador deste ciclo, convidou-nos a participar e nós, claro, aceitámos! Foi um bom pretexto para rever o nosso percurso, e mesmo antes da criação da CaP, e perceber como viémos aqui parar. Desenterrar fotos, vídeos, e-mails e posts antigos e saborear um pouco de nostalgia. 🙂 Foi ainda uma excelente oportunidade de explicar melhor aquilo que fazemos, como o fazemos e porquê, pois já nos apercebemos que muitas pessoas pensam em nós como sendo [apenas] “uma loja de bicicletas” ou, pior ainda, “uma loja online de bicicletas“, algo que está a falhar na nossa comunicação e que ainda não conseguimos corrigir por razões várias.

No dia 16 tivemos então a oportunidade de apresentar a nossa história e o nosso trabalho na Cenas a Pedal:

A apresentação teve que ser convertida para projectar, e algumas coisas, como vídeos e animações, não funcionaram, pelo que aqui fica ela na sua forma original:

( Aproveito para linkar os slides de uma apresentação anterior, que tem a ver connosco, e que achámos interessante, e que infelizmente não está disponível online, sobre empreender em casal. Talvez também ressoe junto de outros casais a pensar abraçar projectos a dois. 🙂 )

Finalmente, no dia 23 o Mário deu a sua perspectiva enquanto engenheiro civil especialista em transportes e mobilidade:

Não sei se têm reparado, mas entre palestras, passeios, eventos, passatempos, reportagens na TV, na rádio, etc, tem havido imensa actividade à volta do tema da bicicleta nestes dois primeiros meses do ano. Claro que este tempo fantástico (se nos esquecermos da agricultura, das barragens, etc) atípico muito tem ajudado a tornar isso mais propício, mas mesmo assim, é de ficarmos animados! 🙂

Hoje é dia de Bicicletada!

Peguem na bicicleta ou no triciclo (ou nos patins, skate, patinete, etc), e engrossem a Massa (Crítica). 🙂 Pelo convívio, pelo passeio, e pelo ciclo-activismo de dar mais visibilidade a estas opções de mobilidade e a quem as adopta. 🙂

Logo às 18h, no Marquês de Pombal, cá em baixo no início do relvado do Parque Eduardo VII!

Para saber o que é a MC, e o que fazer e o que não fazer para a tornar a melhor experiência possível, leia e divulgue este guia.

Feira de Bicicletas Maduras de Fevereiro

É já este Sábado!

Das 15h às 17h, quem tem bicicletas, cadeirinhas, atrelados, peças, luzes, alforges, etc, que já não usa pode tentar vendê-lo (ou doá-los) aqui, e quem procura estas coisas pode vir ver se tem sorte e aparece qualquer coisa. 🙂 Não é preciso inscrição e a entrada é livre para vendedores e compradores.

O convite estende-se ainda a quem produza artigos de artesanato relacionados com a bicicleta, ou para ser usado com ou na mesma, ou porque reaproveita peças velhas de bicicleta. A Tina Clay vai lá estar outra vez com os seus Flying Fat Man Caps!

Mais sobre a Feira de Bicicletas Maduras aqui.

E estamos aqui pertinho do Jardim da Estrela, um complemento simpático para antes e/ou depois do saltinho aqui na FBM. 😉

Corrigir desequilíbrios com a bicicleta

No passado dia 15 de Fevereiro fui à Faculdade de Motricidade Humana, na Cruz Quebrada, assistir à conferência e debate “Mobilidade e Lazer – A Bicicleta Questiona (Des)equilíbrios”, centrada na bicicleta.  Estava lá muita gente conhecida, claro. 🙂

Foto: Paulo Guerra Santos

Mas o que eu gostei mais foi mesmo da perspectiva externa oferecida pelo antropólogo Joaquim Pais de Brito e pelo pedagogo Carlos Neto. O primeiro falou do espaço para a bicicleta nas cidades, ou da ausência dele. Defendeu que, historicamente, a bicicleta nunca entrou na cidade. Que antigamente as casas ricas tinham portas próprias para as carroças. Quando veio o carro, ele usou estas portas, ou ficava na rua, pois era “auto-fechado”. Mas as bicicletas não têm lugar nas casas, não foram feitas para ficar na rua e só as casas ricas têm pátios… Lembrou ainda as reminiscências do cavalo no selim, no freio e no montar da bicicleta. O Carlos Neto usou uma expressão elucidativa, “analfabetismo motor“, algo que afecta as crianças de hoje em dia, privadas de explorarem o mundo físico à sua volta. Disse que a rua está extinta, as crianças não têm acesso à bicicleta porque não têm acesso à rua. Lembrou que nos países nórdicos, mais calvinistas, preparam as crianças para a adversidade, elas andam na rua, a pé, nos TP, de bicicleta, com frio, chuva ou neve. Cá protegemos as crianças atrofiando-as a ponto de serem incapazes de identificar riscos e de os gerir.

Esta questão do analfabetismo motor é muito relevante. Crianças e adultos sem bons reflexos, percepção espacial, coordenação motora, força, agilidade, serão pouco proficientes em navegar a cidade, e a usar uma bicicleta. Juntemos isto com total ausência de formação para tal na escola e pouca ou nenhuma “educação física” e o cenário torna-se preocupante…

Na sessão de debate a jornalista Carla Castelo alertou para o facto de a mobilização da população portuguesa só se dar para lutar contra a perda de direitos, e enquanto automobilistas e em questões relacionadas com centros de saúde. Ninguém se mobiliza para reivindicar mais direitos, nomeadamente enquanto peões, melhor espaço público, etc. Os pedidos de cobertura de notícias e as reclamações vão neste sentido. Daqui retiro que este pode ser um ponto de ataque do ciclo-activismo nacional. Como me tenho fartado de dizer, não precisamos de ser muitos, temos e que ser barulhentos. Se enquanto ciclistas, peões, utentes dos TP, defensores de um novo urbanismo, etc, fizermos o nosso activismo de sofá telefonando e enviando e-mails para os media a reclamar e a pedir que cubram este ou aquele tópico relacionado com mobilidade e urbanismo sustentáveis, esse tema ganhará força

Uma discussão sobre a exposição das pessoas ao fumo dos automóveis lembrou-me de outra vantagem das pedelec (a.k.a. bicicletas eléctricas) em cidades como Lisboa, ao permitir reduzir o esforço físico quando é preciso e ao permitir acelerar mais rapidamente quando se precisa para sair de uma dada zona, reduz a nossa exposição aos poluentes emitidos pelos automóveis.

Tinha sido convidada a apresentar um poster sobre a Cenas a Pedal, e apesar de não sido possível apresentá-lo na Sessão Poster de manhã, ele ficou lá depois, a espalhar a mensagem. 🙂

Foto: Ana Santos

A Ana Santos, que organizou e promoveu este evento, escreveu sobre o mesmo aqui e aqui.