De bicla tá bom

O Kyrylo enviou-nos uma mensagem @ Cenas a Pedal:

«obrigado pela melhor bicla de sempre!»

Ele referia-se a esta, uma Surly Long Haul Trucker, como as nossas, mas em tamanho XL. 😛

DSCN5029

Isto foi o que ele fez com a sua nova bicicleta de touring.

É fixe ou quê? 😀

De volta à velocidade das carroças

Muito interessante e elucidativo este pequeno filme de 3 minutinhos apenas, sobre “A evolução dos transportes”:

E já agora, vejam este pequeno documentário sobre a bicicleta no Brasil:

Agora vamos mesmo ter fazer uma das nossas T-shirts com esta: “‘Tá nervoso? Vai de bike.” 😀

“Têm bicicletas baratas ou em 2ª mão?”

Feira de Bicicletas MadurasEsta é uma pergunta que ouvimos com alguma regularidade no atelier. Neste momento a Cenas a Pedal não comercializa, salvo excepções pontuais (como quando renovamos a frota de aluguer), artigos em 2ª mão, mas tentamos ajudar as pessoas a transaccioná-los entre si promovendo a Feira de Bicicletas Maduras.

Também não oferecemos soluções de bicicletas verdadeiramente Low Cost apenas porque isso quase sempre significa comprometer o valor do produto ou do serviço associado a ponto de corrermos o risco de não conseguirmos operar de acordo com os nossos valores. A título de referência, a bicicleta citadina (equipada com o equipamento essencial: pára-lamas, apoio de descanso, luzes, protecção de corrente, porta-bagagem) mais acessível que podemos fornecer anda nos 300 €, uma pedelec nos 1.300 €, e uma dobrável nos ~400 €, sendo que as que recomendamos começam nos 500 €, 1.850 € e 750 €, respectivamente.

Contudo, compreendemos que, por vezes, o orçamento é mesmo limitado e esperar e poupar para investir melhor (algo que recomendamos sempre) não é uma opção viável, pelo que a única alternativa é mesmo encontrar uma solução de compromisso. Aqui o mercado de usados pode ser uma alternativa interessante.

É sempre preferível comprar uma bicicleta de melhor qualidade mas em 2ª mão do que uma bicicleta nova tão barata que se revele quase “descartável”.

Cuidados ao considerar comprar uma bicicleta nova mais barata

Perceber porque é que a bicicleta é tão barata, para descobrir o preço a pagar pelo low cost, e decidir se estamos disposto a pagá-lo. Será:

  • porque lhe falta muita coisa, ex.: pára-lamas, apoio de descanso, luzes, protecção de corrente, porta-bagagem?
    • quanto tempo levará a encontrar estes acessórios, que sejam funcionalmente e esteticamente compatíveis com a bicicleta, e quanto irão custar? E quanto irá custar a sua instalação se não a fizermos nós próprios?
  • porque tem um design muito particular e/ou componentes próprios que a tornam pouco compatível com outros componentes ou acessórios?
    • será possível montar uma cadeirinha de criança, instalar um porta-bagagem ou uns pára-lamas? E se for possível, será que tem que ser algo tão específico, para dar, que se revele caro ou limitativo?
  • porque os materiais e/ou componentes usados são de menor qualidade (mais pesados, menos funcionais, difíceis de afinar ou reparar, menos confortáveis, menos seguros, etc)?
    • estou disposto a tolerar uma bicicleta pesada nas subidas ou mesmo a arrumá-la em casa ou a subir para o comboio?
  • porque tem menos ou pior equipamento (ex.: não ter mudanças ou não as suficientes, não ter suspensão ou esta ser de pior qualidade, etc)?
    • estou disposto a usar uma bicicleta menos confortável ou ergonómica, com mudanças menos adequadas para os meus percursos?
  • se a bicicleta é dobrável, porque é mais lenta ou difícil de dobrar, ou porque dobrada fica muito volumosa e/ou pesada para transportar?
  • se a bicicleta é eléctrica, porque é muito pesada, tem pouca autonomia, tem pouca força nas subidas, ou limitações a nível do painel de controlo?
  • a garantia oferecida pela marca e/ou vendedor é limitada?

Porque muitas vezes o barato sai caro, importa analisar bem estas questões antes de escolher a bicicleta a comprar e a quem, para evitar surpresas desagradáveis.

Onde encontrar bicicletas novas baratas?

  1. Órbita (tem loja online), lojas de bicicleta de rua, grandes superfícies dedicadas ao desporto (ex.: Decathlon), mas evitar comprar em hipermercados!!
  2. procurar em sites de compras colectivas, por exemplo:
    1. Forretas

Comprar lá fora

Ao procurar pechinchas online (e no estrangeiro), não deixe de fazer bem as contas, para não ter uma surpresa dispendiosa:

  • portes de envio
  • IVA*
  • taxas aduaneiras*
  • assistência na venda (o sistema de e-commerce não o vai avisar que as peças que comprou não são compatíveis ou que vai precisar de mais isto ou aquilo)
  • garantia (se tiver algum problema com a bicicleta/ componente / acessório como funciona a garantia, como vai ser a comunicação com o vendedor, e quem paga os custos de envio para mandar o artigo de volta, etc?)

* Para compras dentro da UE o IVA é o do país onde é feita a compra, e não há taxas aduaneiras, só tem que saber o valor dos portes. Para compras de fora da UE (ex.: EUA ou China) acrescem muitas vezes o IVA e taxas aduaneiras. Para compras entre 22 € e 150 € paga IVA, acima de 150 € paga IVA e direitos aduaneiros entre 1 e 4 %, geralmente.

Onde encontrar bicicletas usadas / em 2ª mão?

  1. começar por perguntar aos familiares, amigos, colegas ou vizinhos se têm alguma que queiram vender (às vezes têm para lá coisas que até nem usam…)
  2. outras lojas de bicicletas (nomeadamente aquelas que aceitam retomas)
  3. Feira das Bicicletas Maduras
  4. Feira da Ladra
  5. Empresas de compra e venda de usados (ex.: Cash Converters)
  6. procurar online em sites de classificados, por exemplo:
    1. Stock Usados
    2. Mini.mercado da Bina
    3. Coisas
    4. OLX
    5. Custo Justo
    6. MyCycle
  7. procurar online em sites de leilões, por exemplo:
    1. Leilões.net
    2. Ebay
    3. Miau

Algumas dicas

  • privilegiar os vendedores que apresentem a factura original da compra, para evitar o risco de comprar bicicletas roubadas
  • tentar sempre ver e experimentar a bicicleta antes de comprar, idealmente, ou pelo menos pedir algumas boas fotos dela para conseguir avaliar o melhor possível o estado dela
  • nas compras à distância, averiguar previamente o melhor possível a identidade, contactos e credibilidade do vendedor
  • em compras a particulares e à distância, solicitar o envio à cobrança, mas pode aceitar pagar previamente os portes de envio como sinal de boa-fé
  • MUITO IMPORTANTE: identificar previamente as eventuais necessidades de reparação, substituição ou afinação de componentes e depois pensar nisto:

a) será possível/fácil/barato encontrar as peças necessárias, e quem o fará?

b) o trabalho técnico necessário, quem o poderá e quererá fazer e a que preço?

Quanto mais antigas as bicicletas maior a probabilidade de ser difícil e/ou caro ou mesmo impossível arranjar peças de substituição, o que pode implicar ter que mudar mais coisas do que o previsto (implicando mais custos e, porventura, alterando a estética original da bicicleta, se isso for importante). Com bicicletas usadas mais antigas ou mesmo velhas, o trabalho a nível de mecânica que requerem é muitas vezes bastante superior ao normal para a mesma operação. Operações relativamente simples em bicicletas mais recentes e/ou bem mantidas, tornam-se frequentemente muito trabalhosas, e caras, numa bicicleta antiga/velha e não permitem um resultado final tão satisfatório (porque a base de partida simplesmente não o permite). Está disposto a pagar? Ajuste as suas expectativas.

Mecânica faça-você-mesmo

Para trabalhos de mecânica que ficariam caros de mandar fazer a alguém que tem que viver desse trabalho, a solução é fazê-los nós próprios, eventualmente com ajuda de terceiros, em oficinas comunitárias, onde se costumam acumular peças usadas doadas que às vezes salvam a situação, e onde voluntários ajudam a manter em circulação bicicletas que de outro modo iriam para o “lixo” ou seriam canibalizadas para manter outras. Estes espaços / colectivos desempenham, assim, um papel relevante na defesa do ambiente. Exemplos:

Nota final: seja na compra, recuperação ou reparação de uma bicicleta, tenha sempre presente de que se trata de um veículo no qual se vai deslocar a velocidades mais ou menos elevadas, frequentemente no meio do trânsito (automóvel mas também de bicicletas ou peões). Falhas catastróficas (rodas, quadro, transmissão, travões, pedais, guiador,…) podem conduzir a quedas e colisões, seja com lancis, muros, pilaretes, outros veículos (incluindo bicicletas) e até peões, mais ou menos graves dependendo das circunstâncias. Não comprometa a sua segurança nem a de terceiros. Não poupe no essencial.

O amor pode ser Electrizante

Para os mais distraídos, o Dia de S. Valentim (a.k.a. Dia dos Namorados) é daqui a 3 semanas, 3ª-feira, 14 de Fevereiro. Se estão a pensar no que poderão oferecer à vossa cara-metade que a faça gostar ainda mais de vocês, e que lhe proporcione longas horas de prazer… não procurem mais.

A Electra Portugal tem em vigor até 29 de Fevereiro, e limitada ao stock existente, uma campanha amorosa (desculpem mas não resisti 😛 ).

Espreitem o catálogo da marca aqui (PDF). Porque é que gostamos das Electra? Porque são giras, leves, confortáveis, e têm Flat Foot Technology!

Encomende (junto da Cenas a Pedal, claro) uma bicicleta Electra de PVP até 500 € e receba de oferta um PackEspelho Meu“, da Coolgift no valor de 24.90 €, para mimar quem mais interessa com tratamentos de beleza e spa, ou quem sabe uma sessão de aconselhamento sobre moda, ou com um personal shopper, um workshop de maquilhagem, etc.

Os modelos Townie Original estão todos nesta gama, os 7D a 409 €, os 3i a 461 € e os 21D a 491 €. Os modelos Cruiser também, a 307 €, bem como os modelos Coaster, entre 399 € e 499 €. Os modelos Hawaii 3i também caem nesta categoria, com um PVP de 460 €.

As nossas sugestões?

Aposte numa Townie Original 3i (3 mudanças de cubo e travão traseiro de contra-pedal) se for para dar passeios em zonas praticamente planas. Fácil de usar e de pouca manutenção.

Ou numa Townie Original 21D (desviador com 21 mudanças, travões tipo V-brake) se não quiser que as subidas vos detenham. Maior escolha de mudanças, e com suspensão à frente.

Encomende (junto da Cenas a Pedal, claro) uma bicicleta Electra de PVP acima de 500 € e receba de oferta um PackFugas“, da Coolgift no valor de 49.90 € para fazer uma escapadinha de fim-de-semana e desfrutar de uma noite a dois no campo ou na cidade, na praia ou na montanha, num dos vários alojamentos à escolha de Norte a Sul do país.

A gama Electra inclui diversos modelos acima de 500 € e até aos 1.990 €, entre a colecção Townie, Amsterdam, Cruiser e Ticino.

As nossas sugestões?

As Amsterdam Original 3i  (512 €) dão uma bela bicicleta para zonas planas ou com declives suaves. São fáceis de usar e de pouca manutenção graças às 3 mudanças de cubo e travão traseiro de contra-pedal, trazem pára-lamas e estojo completo de corrente, o que significa que a roupa fica sempre limpa. E são muito, muito giras. 🙂

Para quem gosta da simplicidade de uma singlespeed, as Ticino 1 (590 €) são uma opção a considerar.

As Townie Balloon 8D (614 €) são giras, mais roliças e muito confortáveis graças à suspensão oferecida pelos seus pneus balão (vai agradecer por eles quando estiver a rolar no empedrado ou em qualquer sítio com pavimento menos que perfeito – se tiver algum tipo de problemas de costas, então, é fundamental). E trazem pára-lamas e protecção de corrente de origem, pelo que são práticas para passear sem nos preocuparmos com roupa suja. Com 8 mudanças (de desviador), não é qualquer subidinha que o desmotivará.

As Amsterdam Royal 8i (922 €) são as que vai querer se procura uma bicicleta fácil de usar e de cuidar. Com 8 mudanças de cubo, as subidas são apenas os preliminares para as descidas, e a tranquilidade de poder mudar de mudança com a bicicleta parada e só ter que pensar em manutenção quando o rei faz anos, bom, não tem preço. E com os travões de roletos não tem que se preocupar com afinações, além de exigirem muito pouca manutenção. Com os pára-lamas, guarda-saias/casacos e com a corrente totalmente protegida, pode pedalar de vestido branco longo sem preocupações. 🙂 Trazem um dínamo de cubo para alimentar o farol dianteiro, e trazem um farol dianteiro a pilhas. E são lindas. 🙂

Se estiver numa onda mais Retro, considere as Ticino, herdeiras da estética das bicicletas estilo Randonneur vintage, dos anos 40 e 50. A Ticino 18D (1.590 €) para ela e a Ticino 16D (1.090 €) para ele, que tal?

Ou que tal uma bicicleta para dois e ‘bora para uma Hellbetty (1.399 €)? 🙂

Agora é só escolher e encomendar (via vendas@cenasapedal.com). E rolar felizes para sempre. 🙂

 

Como poupar dinheiro no carro

«As despesas associadas ao automóvel representam cerca de 18% do orçamento das famílias, em Portugal», segundo esta fonte. E isto será apenas as despesas associadas ao uso, as despesas com prestações da aquisição devem representar outro tanto… Duvida? Faça as contas:

  • Prestações mensais da aquisição
  • Seguros
  • Imposto Único de Circulação
  • Inspecções Periódicas Obrigatórias
  • Combustível
  • Manutenção & reparações
  • Estacionamento (parquímetros, aluguer de garagem ou avença)
  • Portagens
  • Amortização*

* Os automóveis desvalorizam com o tempo. Esta fonte, por exemplo, refere uma desvalorização média de 12 % ao ano. Isto significa que ao fim de 8 anos ninguém lhe dá nada pelo seu carro velho, pelo que ao longo desses 8 anos tem que poupar ou ganhar dinheiro suficiente para, no final, comprar um novo, substituindo assim o bem. Essa poupança mensal necessária virtualmente é um custo escondido da posse de automóvel mas que tem que ser contabilizado.

Esta simulação, por exemplo, deu um valor de 7.900 € de gastos anuais com 1 automóvel. Claro que isto há-de variar muito de carro para carro e de pessoa para pessoa, mas dá uma referência. O Bruno Antunes fez as contas ao seu caso e poupa 230 € por mês, e até fez um simulador para outros fazerem as suas contas. E neste artigo descobriram que a despesa com o carro iguala a despesa com a casa nos primeiros 10 anos do carro!

Uma forma simples de estimar o custo do uso de automóvel próprio é utilizar o valor pago pelo Estado aos seus funcionários em subsídio de viagem quando estes usam o carro particular: 0.40 € / Km. Claro que este será um valor “por baixo” (o Estado, que paga, é que define as regras), e que não incorporará todos os custos da lista anterior (nomeadamente portagens e parquímetros, por exemplo). Para se aproximar mais da realidade, use 0.45 € / Km e adicione depois portagens e parquímetros.

Como poupar dinheiro no carro?

Tem duas hipóteses:

  1. Venda-o (se houver mais que 1 carro no seu agregado familiar, pelo menos venda os outros)
  2. Use-o menos. Use-o melhor.

Mas que alternativas há?

Se o carro é a sua primeira ou única escolha para todas as suas deslocações, independentemente da distância, do propósito, e do contexto, está a fazer uma utilização pouco criteriosa dos seus recursos. É um utilizador monomodal (recorre apenas a 1 forma de transporte), pelo que as ineficiências serão muitas. Torne-se multimodal, e intermodal.

Intermodalidade: conjugar diferentes meios de transporte numa mesma viagem. Exemplo, em vez de ir de carro de Porto Salvo (Oeiras) à Baixa de Lisboa:

  • vou de bicicleta até Paço de Arcos, prendo-a no parque para bicicletas da estação, e vou de comboio até ao Cais do Sodré, e depois vou a pé até ao destino

Multimodalidade: seleccionar um meio de transporte diferente para cada tipo de viagem, consoante as variáveis da mesma. Exemplos:

  • para ir ao supermercado comprar pão e fruta, vou a pé (se necessário levo um trolley de compras);
  • para ir para o trabalho todos os dias vou de autocarro
  • para ir com o meu filho ao parque, vou de bicicleta
  • para ir à terra dos meus pais, na província, com a família, vou de carro
  • para ir ter com alguém ao centro da cidade, vou de scooter

Deixe de comer bife com batatas fritas a todas as refeições, todos os dias. O menu da mobilidade é muito mais alargado:

  • andar a pé
  • andar a pé com acessórios (trolley, patinete, patins,…)
  • bicicleta (normal, dobrável, eléctrica, triciclo, com reboque, de carga, etc)
  • transporte público colectivo (autocarro, metro, comboio, barco, ferry, eléctrico)
  • transporte público individual (táxi, carsharing, bikesharing)
  • ciclomotor (scooters, por exemplo)
  • motociclo
  • automóvel (particular, em regime de carsharing, em regime de carpooling, alugado)

e ainda:

  • mobilidade delegada: entregas ao domicílio, por exemplo
  • mobilidade evitada: teletrabalho, videoconferência, videochamada, etc

Uma dieta saudável e sustentável inclui uma mistura criteriosa destes elementos, consoante as nossas necessidades diárias, sendo que o andar a pé deverá fazer parte, pelo menos parcialmente, de todas as nossas deslocações quotidianas por questões de saúde, bem-estar, socialização e cidadania.

Tudo ao contrário Carrinho cheio para reabastecer a despensa

A seguir, a bicicleta é a ferramenta mais polivalente e flexível, ao permitir a co-modalidade (transportá-la connosco dentro de outro meio de transporte), e ao expandir o alcance e a eficiência da rede de transporte público colectivo conjugando-o com um meio de transporte particular, de rota e horário livres, que faz a ligação do interface de transporte público ao nosso destino final, de forma prática, fiável, eficiente.

Regresso de comboio

Quando e como poderá introduzir a bicicleta nos cenários de intermodalidade e de multimodalidade anteriormente exemplificados, depende de vários factores: onde vive, para onde vai, o que precisa de transportar, quanto tempo tem, quantas voltas precisa de fazer, etc, etc, etc. A bicicleta, tal como o carro, não é a melhor opção para toda e qualquer deslocação. Da mesma forma que dificilmente faz sentido pegar no carro para ir comprar pão ao café a 200 metros, não fará, normalmente, muito sentido pegar na bicicleta para transportar um sofá de três lugares para a outra ponta da cidade.

Os super-poderes da bicicleta

A pedelec (também conhecida por “bicicleta eléctrica”, e-bike ou “bicicleta com assistência eléctrica”)

Kalkhoff Agattu C7 c/ Clarijs

Um exemplo prático. Viagem suburbana Casal da Choca, Porto Salvo (Oeiras) – Jardim da Estrela, Lisboa. Primeira sugestão do Google Maps (carro):


View Larger Map

Porta-a-porta, se eu tivesse garagem em casa ou o carro estacionado gratuitamente à porta, seriam 20 minutos de viagem (17 Km), por cerca de 8 €. Mas isto não é assim para a maioria das pessoas da zona, pelo que de certeza que teria que caminhar entre 5 e 15 min para chegar ao carro. E se o tiver numa garagem, com avença, bom, o custo também não se fica nos 8 €. Além disso, esses 20 minutos é se não houver congestionamentos nenhuns, claro, o que não é, de todo, a regra dentro da cidade… Assim, uma estimativa média mais realista, embora optimista, seriam 40 min por 8 €.

Ajustando o percurso para um não interdito a bicicletas (e sem portagem):


Ver mapa maior

Este mesmo percurso alternativo, em bicicleta (que tem acessíveis alguns atalhos que o carro não tem), fica em 18 Km. Numa pedelec faz-se bem em cerca de 40-55 min, e este tempo é muito pouco afectado pelos congestionamentos, pelo que é um valor fiável. E por um custo inferior a 1 €! Mesmo nas poucas vezes em que conseguimos ter o carro à porta de casa e não sofrermos atrasos com os congestionamentos, optar pela bicicleta permite-nos poupar mais de 7 € por viagem, e por um custo de apenas 20 minutos conseguimos ganhar 40 minutos de exercício físico ligeiro gratuito.

(Neste mesmo percurso, mas de carro, porta-a-porta, se eu tivesse garagem em casa ou o carro estacionado gratuitamente à porta, e sem congestionamentos, seriam 39 minutos de viagem, por cerca de 8.50 €.)

E se por alguma razão der jeito, pode sempre pôr a bicicleta no comboio, algo que não pode fazer com uma scooter, por exemplo.

Pedelecs no comboio

Ah, e ter que levar uma criança entre os 9 meses e os 10 anos de idade para a deixar na escola a caminho, antes de seguir para o trabalho, também não é um impeditivo, basta instalar uma cadeirinha (até duas, uma atrás e outra à frente, fáceis de tirar e deixar na escola, por exemplo):

Kalkhoff Agattu C7 c/ Bobike Maxi+

A bicicleta pedelec tem ainda uma vantagem significativa para quem, como eu, não tem necessidades regulares/fixas, diárias, de transporte [em bicicleta]. Uma pessoa que tenha a oportunidade de usar a bicicleta diariamente, em deslocações pendulares (ou seja, pelo menos 2 viagens / dia), rapidamente ganha um nível de forma física adequado ao percurso que faz habitualmente. Isto é, ao fim de um tempo, fá-lo rapidamente, sem exerção física excessiva e sem transpirar demasiado. Uma pessoa que faça o mesmo (ou outro) percurso com pouca regularidade (tipo 1, 2 ou 3 vezes por semana), não consegue uma adaptação tão eficiente. Nesse caso, uma bicicleta com assistência eléctrica permite-nos não nos desmotivarmos em sair de bicicleta por causa dessa falta de regularidade, mesmo quando o percurso é mais exigente (subidas, trânsito) e/ou longo.

 

A bicicleta dobrável (também conhecida por bicicleta “desdobrável”, “articulada”, “portátil”, e até “desmontável”)

Uma bicicleta articulada, que se pode dobrar de forma a ser transportada como qualquer outra bagagem de mão, permite-lhe tirar maior fiabilidade e eficiência do transporte público.

IMGP7549.JPG IMGP7438.JPG

É mais rápido chegar à paragem ou à estação a pedalar do que a pé (e muitas vezes é mais rápido, e barato, do que ir até lá de carro, se contabilizarmos o tempo e o custo do estacionamento). A bicicleta pode carregar a nossa bagagem, aliviando as nossas costas.

IMGP6562.JPG IMGP6564.JPG IMGP6563.JPG

Quando o transporte público se atrasa ou falha, temos sempre à mão um meio de transporte alternativo, pessoal, capaz. Dobrada, a bicicleta é bagagem, e pode ser levada em todos os transportes públicos sem restrições de horários ou taxas adicionais.

Lugar isolado: perfeito para ciclistas! Escadas rolantes no Metro Lx

Birdy on the boat Mobiky no Metro Lx IMGP7434.JPG

Temos, assim, sempre à mão uma forma autónoma de ligar o ponto A, de partida, ao primeiro interface de TP, transportando depois a bicicleta connosco no comboio/autocarro/barco/etc, e voltar a poder depender dela para a ligação entre o último interface e o nosso ponto de chegada B.

IMGP7431.JPG

As bicicletas dobráveis funcionam bem também com o automóvel. Quando se dirige ao centro da cidade vindo de longe, pode usar o carro para chegar à periferia da cidade, estacioná-lo onde é rápido encontrar lugar livre, e onde este é grátis ou mais barato, sacar da bicicleta do porta-bagagem, e continuar a viagem até ao centro a pedalar, sem preocupações com o trânsito ou com o estacionamento. Um caminho que leva 20 minutos para fazer a pé (ou 20 ou 30 para fazer de carro, contando com o estacionamento), faz-se em menos de 5 minutos de bicicleta, porta[do carro]-a-porta.

Christmas red

De notar ainda que hoje em dia existem bicicletas dobráveis pedelec, juntando o melhor de dois mundos. A falta de espaço de parqueamento em casa ou no trabalho, a orografia, ou a distância, deixam de ser impeditivos reais do uso da bicicleta.

A bicicleta de cauda longa (também conhecida por bicicleta “longtail“, ou bicicleta de carga)

Quando se usa o carro para levar crianças à escola ou simplesmente para as levar a passear ou a outras actividades, arranjar uma alternativa ao carro pode passar por uma longtail.

Uma bicicleta longtail é uma bicicleta com uma traseira alongada (cerca de 40 cm), com uma estabilidade e capacidade de carga expandidas, tornando fácil transportar passageiros, adultos e crianças, e carga volumosa e/ou pesada.

Algo que não se vê todos os dias

Estas bicicletas têm “um porta-bagagem e um banco de passageiros” tal como está habituado no carro. Uma ida ao supermercado com duas crianças não é problema.

P1000150.JPG

Cruising with kids at Yuba HQ

Café Vélo by Cenas a Pedal (12/12/09)

Dar boleia a um amigo também é banal.

Os instrutores!

Transportar 2 crianças atrás e 1 criança à frente também se faz.

Sunday Parkways 09 -50

É sempre possível transportar os filhos depois de eles já não caberem nas cadeirinhas.

Diane Jacobs' Big Dummy

Carga de todas as formas, pesos e feitios também se acomodam bem numa “cauda longa”.

E-Big Dummy at work

All loaded up and ready to roll!

Tralhas arrumadas, é hora de regressar a casa

Uma bicicleta destas substitui facilmente o carro em muitas das deslocações urbanas, com grandes benefícios (combate o sedentarismo, poupa dinheiro, por vezes até poupa tempo, é mais divertido e mais convivial). Se tiver assistência eléctrica, então, torna-se ainda mais versátil e competitiva.

Bicicletas “normais (também conhecidas por “biclas”, “binas”, “gingas”, etc)

Os 3 tipos de bicicleta anteriores são as principais apostas a nível de susbtitutos capazes e versáteis para o 2º (ou mesmo para o 1º) automóvel do seu agregado familiar. Mas há mais opções. Há as bicicletas “normais”. Umas mais equipadas e encorpadas que outras, consoante as necessidades e as preferências pessoais. Ter uma bicicleta leve e rápida dá jeito em algumas situações. O que perde em capacidade de carga e em conforto ganha em velocidade e leveza (bom para acartá-la por escadas, etc).

Mãe & filho na bicicleta & cadeirinha novas

Fixie

Mas como?

Se vender o 2º carro familiar facilmente recupera dinheiro para investir na diversificação da frota ao dispôr do seu agregado, e continua a ter 1 automóvel para as situações que o exijam. Também se pode desfazer do único carro do agregado e recorrer a um serviço de carsharing quando precisar de um carro. Alugar um ou recorrer ao táxi são outras opções. Quando não se tem encargos fixos com um carro, sobra mais dinheiro para estas coisas.

Exemplo daquilo em que pode converter o (1º ou pelo menos os) 2º e 3º automóveis:

  • 1 scooter (desde 1.500 € – 2.000 €)
  • 1 bicicleta citadina simples e light – desde 500 €
  • 1 bicicleta dobrável (rodas pequenas, compacta, elevada portabilidade) – desde 800 €
  • 1 bicicleta pedelec (com motor de assistência eléctrico) – desde 2.000 €
  • 1 bicicleta de cauda longa (pedelec ou não) – desde 1.000 €

E estes são valores para opções de qualidade bem razoável. As opções mais low cost, quando existem, permitem um investimento inicial inferior, mas normalmente implicam custos acrescidos a médio prazo em tudo o que não seja um tipo de utilização ocasional e/ou cedências na performance, no conforto, etc.

O caminho para a libertação das famílias endividadas (ou o caminho para aquelas que querem ter mais dinheiro disponível para coisas interessantes) passa por uma racionalização do recurso ao automóvel particular. Nesse caminho, a bicicleta é a ferramenta mais eficaz. Quantas medidas de redução de custos conhece que lhe ofereçam tantos ganhos indirectos (saúde, bem-estar, prazer, poupança, melhor ambiente, convívio e socialização)? 😉

Para o ajudar na sua transição: