Bikesharing sem docas

No início deste mês escrevi sobre as 6 razões para aderir ao bikesharing em Lisboa. Apesar de já se verem docas nas outras zonas a cobrir por este sistema de 3ª geração, além do Parque das Nações, onde o serviço já está em funcionamento, as bicicletas ainda não apareceram. Agora entrou em funcionamento um bikesharing sem docas, em Cascais.

O bikesharing sem docas chegou a Portugal pelas mãos da chinesa ofo

Entretanto, em Cascais, que também tem um sistema de bikesharing, apareceram esta semana 50 bicicletas da ofo (o nome visa lembrar a forma de uma bicicleta), um dos gigantes chineses das bicicletas partilhadas sem docas que têm invadido cidades por todo o mundo.

Estes sistemas são uma espécie de full circle, pois voltamos aos primódios dos sistemas de bikesharing, surgidos na Holanda nos anos 60, em que as bicicletas eram deixadas “por aí” para quem as quisesse usar, pegando numa onde a encontrasse e deixando-a no final onde lhe conviesse. Nessa primeira encarnação rapidamente os furtos e o vandalismo acabaram com a ideia, hoje em dia a tecnologia ajuda a minimizar isso, e torna mais fácil localizar bicicletas livres. Portugal não chegou a ter estes sistemas de 1ª geração, mas teve um de 2ª geração, as BUGAs.

Aparentemente o bikesharing sem docas da ofo será integrado na plataforma MOBICascais. Ainda não vieram para Lisboa porque consideram que só quando tiverem bicicletas eléctricas (no final de 2017) é que estarão preparados para tal. 

Em Cascais, a Ofo está disponível com 50 bicicletas sem assistência elétrica e sem caixa de velocidades. Para utilizar o serviço, é necessário descarregar a app para iOS e Android. Ao abrir a aplicação, é apresentado um mapa da vila com as bicicletas disponíveis (estas estão equipadas com um sistema de tracking por GPS). Depois de carregar no botão para desbloquear, o utilizador tem de introduzir o número da bicicleta ou então ler o código QR exibido por cima da roda traseira. A seguir, a aplicação dá o número para desbloquear o cadeado da bicicleta. A partir daí, pode utilizá-la e deixá-la onde quiser. O pagamento é feito através do cartão de crédito.

 

ofo cascais bikesharing

Fonte: Shifter

Ou seja, é preciso um smartphone (com bateria) e wifi ou dados móveis, e não dá para pensar em grandes subidas com isto (não têm mudanças!). 

Por outro lado, há muito maior liberdade no sítio onde a estacionamos e devolvemos ao sistema (e, com sorte e escala/dimensão suficiente, maior facilidade em encontrar uma bicicleta disponível ao pé de nós quando a queremos).

Custa 1 € por cada meia-hora (e, dizem eles, vai haver um sistema de créditos). A Shifter diz que «se quiseres uma viagem grátis, podes utilizar o código Y03CfF».

woman riding an ofo bike

Fonte: Dinheiro Vivo

Só não sabemos se será um sistema para ficar, uma vez introduzido por cá. Este tipo de bikesharing tem gerado grandes problemas noutras cidades, relacionado com a utilização desregrada de espaço público, e mesmo de abuso e de abandono de bicicletas no espaço público, e muitos questionam a sustentabilidade financeira destes sistemas…, sendo que se especula que o verdadeiro modelo de negócio não é o aluguer de bicicletas mas a aquisição e comercialização de big data recolhida dos padrões de utilizaçãodas bicicletas pelos utilizadores.

A minha esperança é que, a haver problemas de abuso do espaço público por cá isso sirva para despoletar uma conversa colectiva sobre a muito pior, mais perniciosa e omnipresente ocupação – legal e ilegal – do espaço público por automóveis privados

EDIT de 10/11/2017: A ofo veio à Web Summit falar disto tudo:

Bicicletas voltam legalmente ao paredão de Cascais

Segundo notícias recentes no Público e no DN, a circulação em bicicleta vai voltar a ser permitida, embora com restrição horária, no paredão de Cascais.

Não estou convencida da bondade desta medida, e estou muito curiosa para ver como vão fazer, «em termos de segurança, será criado um corredor ao longo do paredão para o trânsito das bicicletas que irá dividir a sua zona com a dos peões»… Penso que a intervenção tem que ser cá em cima, ao nível da Marginal. Reformular drasticamente esta Avenida de modo a reabilitar a zona de transição terra-mar, libertar a zona costeira para usos consentâneos com o valor paisagístico, natural e económico de tal zona. Acomodar vias de circulação pedonal, vias de circulação para bicicletas, quiçá interditar os veículos motorizados privados, e implementar uma linha de BRT ou MetroBus?… Sonhar não custa. 😛

Cenas a Pedal na celebração do Dia Mundial do Coração em Cascais

Bom, esperemos que amanhã de manhã a chuva dê umas tréguas, pois entre as 9h30 e as 13h estão previstas actividades de comemoração do Dia Mundial do Coração, no parque de estacionamento da praia de Carcavelos, organizadas pela Câmara Municipal de Cascais.

A Cenas a Pedal foi convidada a participar com demonstrações dos nossos veículos, na mesma onda do evento de dia 16. 🙂

Programa:

Entre as 9h30 e as 13h: Voleibol de Praia . Futebol de Praia . Surf . Ténis de Praia . Corfebal . Insufláveis . Tiro . Jogos de Praia . Tiro . Jogos Tradicionais . Demonstrações de classes de idosos . Coração Pum Pum . Yôga Ginástica de Manutenção . Cardio-Capoeira . Sessão de Pais e Filhos . Trikes . Cenas a Pedal . Medição da Função Respiratória . Medição do Perímetro Abdominal . Índice de Massa Corporal . Boulder . Medição da Tensão Arterial . Rastreio de Colesterol.

11h00: Milha pela Saúde
12h30: Ajude a formar um coração humano!